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Aula 9 – O Que é o Escorço?

Posted by Marcio Parente on 1 de Abril de 2015 in Avançado |

O escorço trata da perspectiva em close-up. Assim como uma estrada numa paisagem parece diminuir de tamanho à medida que se afasta do observador, o mesmo acontece com os objetos vistos num plano bem próximo. O desenho de figuras humanas em posição de escorço constitui um desfio para os principiantes, pois este ponto de vista implica uma deformação bastante acentuada do corpo e dos membros. Mas vale a pena tentar dominar os problemas do desenho em escorço para poder trabalhar com poses mais imaginativas e interessantes e ampliar consideravelmente sua habilidade no desenho.

A principal dificuldade do escorço é que as pessoas tendem a desenhar condicionados por certos automatismos, sem dar a devida atenção ao que, de fato, vêem à sua frente. Assim, embora a cabeça seja maior que a mão, se esta estiver mais próxima do observador deverá ser desenhada em tamanho maior que a cabeça. O segredo, portanto, é acostumar-se a registrar exatamente o que se vê, por mais inusitado que pareça. Ao desenhar figuras em pose, como a do desenho abaixo, observe com atenção as formas negativas, que neste caso, estão constituídas pelos espaços entre as pernas e os braços do homem. Elas são extremamente úteis para relacionar as diferentes partes do corpo entre si.

01 escorço

Sugestões Úteis

Primeiro, escolha um ponto de vista interessante, e não tenha receio de poses nas quais o modelo fica acentuadamente escorçado. Se você é principiante, faça os primeiros desenhos a certa distância do modelo, para ter uma melhor visão da figura inteira. Quando adquirir experiência, adote um ponto de vista mais próximo, pois isso enfatizará o escorço e você terá poses mais interessantes.

Antes de começar a desenhar, desenhe um quadrado grande no papel, este lhe servirá de moldura dentro da qual você poderá controlar melhor seus esboços. Em seguida, analise a figura com atenção, dividindo-a em partes. Verifique qual delas é a mais próxima de você e qual a mais distante, e esboce-as dentro do quadrado. Nesta fase é conveniente usar a técnica de medir com o lápis e o polegar para conseguir calcular com maior precisão o tamanho dessas duas partes extremas do corpo, uma em relação à outra.

Desenhe a parte do corpo mais próxima de você e a mais distante, e então ligue as duas gradualmente. (Iniciar simplesmente pelo ponto mais próximo e desenvolver o desenho em profundidade quase sempre conduz a resultados desastrosos.). Não exite em usar a técnica de medir com o lápis e o polegar novamente, se tiver alguma dúvida quanto às proporções. Enquanto desenha, verifique constantemente a relação entre as diferentes partes do corpo do modelo, procurando pontos que se alinham, para orientar-se de maneira mais segura.

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Quanto mais escorços você fizer, mais fáceis eles se tornarão. Tente desenhar uma série de poses diferentes, como as dos esboços acima, gastando apenas cinco ou dez minutos em cada um; isso o ajudará a familiarizar-se com as proporções inusitadas do escorço.

Vaca em Escorço

Ao desemhar animais em escorço, leve em conta também a regra fundamental desse tipo de perspectiva: desenhe apenas aquilo que você vê e não o que julga ser correto. Quando se observa um animal de frente o escorço pode criar outras distorções inesperadas, neste desenho de uma vaca com um bezerro, os costados da vaca parecem convergir à medida que ficam mais distantes, assim como a parte superior do seu corpo (clavícula) e a inferior (cascos).

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Em termos simplificados, um animal visto de frente pode ser comparado a um cone, com a cabeça formando a base, e o rabo, a ponta. Observe como isso tem o efeito de situar a cabeça numa posição mais baixa e os cascos traseiros mais acima do que você poderia esperar. Como regra geral, este ângulo de visão fornece poucas linhas para definir as formas individuais. Assim, a percepção atenta dos tons torna-se particularmente importante.

 

ANIMAIS DOMÉSTICOS

DESENHO DE CÃES

 

Só é possível desenhar bem um animal quando se conhece, e entende seu comportamento. E um dos animais que mais facilmente se deixam conhecer é o cão. Transforme o seu, ou o de um amigo em modelo, e comece a retratá-lo. Não espere, contudo, que ele fique parado todo o tempo numa só pose, nem desanime diante da dificuldade de captar seu movimento praticamente incessante; tampouco se deixe vencer pela tentação de basear seu trabalho numa fotografia: parece muito mais fácil, porém o resultado não será tão compensador.

Para desenhar a estrutura básica do corpo do cão, é recomendado usar uma série de formas diversas. O tronco com o peito profundo, afilando-se na extremidade oposta, lembra um feijão; a cabeça pode ser tratada como um círculo, e o focinho, como um cilindro com a ponta achatada. Desenhe as pernas como cilindros afilados, as patas em semicírculos e a parte superior dos membros na forma de rins invertidos. Concentre-se mais nos gestos que nos detalhes, e não se preocupe com precisão. Mesmo que alguns esboços pareçam confusos, guarde-os para usar mais tarde como referência.

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O CÃO EM REPOUSO

Para familiarizar-se com a estrutura básica do cão, escolha um modelo que esteja dormindo ou descansando. Observe-o com atenção e anote a “montagem” de seu corpo. Compare as posições dos membros e suas proporções, sem esquecer que, ao contrário do que acontece com os seres humanos, eles diferem substancialmente de uma raça para outra. Nesta fase inicial não se preocupe com detalhes. Faça esboços rápidos, sobrepondo as partes componentes do corpo, e não se detenha em apagar erros. Quanto mais esboços você fizer, mais depressa conseguirá colocar no papel as características principais do animal.

O CÃO EM MOVIMENTO

Quando tiver adquirido bastante prática em esboçar modelos imóveis num tempo relativamente curto, experimente desenhar um cão em movimento. Não se precipite em definir um esboço como definitivo. É necessário muita paciência para obter bons resultados, mas vale a pena perseverar, pois são as cenas de movimento que mais refletem a personalidade canina. Observe o animal com atenção, analisando como e porque ele se movimenta de determinada maneira. Entendendo seus gestos, você conseguirá fazer um desenho convincente. Se o cão estiver andando ou correndo, atente para a posição das patas. Tente esboçá-lo com a pata dianteira estendida ou ligeiramente levantada, para dar a impressão de movimento; mas cuide de retratar as outras patas em posição compatível.

A PELAGEM

Tendo aprendido a captar a forma e o movimento básico com esboços, passe para um desenho mais sofisticado baseados no trabalho anterior. Nesta fase você terá a oportunidade de reproduzir a pelagem do animal.

Pêlos longos: Para desenhar a pelagem de um collie ou um cocker spaniel, faça os traços seguindo a direção dos pêlos. Varie-os de acordo com a natureza da pelagem: curtos escuros para pêlos ásperos e eriçados, longos e fluidos para pêlos macios. Como a pelagem segue o contorno do corpo, oriente os traços no mesmo sentido. Uma sugestão interessante para facilitar este trabalho é aplicar os traços sobre um esboço prévio da forma básica do animal. Tenha sempre em mente que, mesmo sendo espessa, a pelagem reflete a luz; assim, permite-lhe criar uma impressão de volume mediante a marcação das áreas de luz e sombra. Um método prático para chegar a esse resultado consiste em aplicar os traços bastante próximos uns dos outros nas áreas de sombra, e mais espaçados nas partes que refletem a luz.

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Pêlos curtos: Algumas raças caninas possuem pelos tão curtos que mal se consegue distingui-los individualmente. Se o seu modelo pertence a uma dessas raças, enfatize a modelagem tonal, pois a forma da pelagem é, neste caso, mais importante que a textura. Note ainda que quanto mais curto o pêlo, mais pronunciados são os músculos e os ossos da superfície. Portanto, represente as áreas de luz e sombra com precisão, para refletir essa característica, aumentando a impressão de forma tridimensional.

Pêlo de poodle: talvez a pelagem mais difícil de reproduzir seja a do poodle. É recomendado fazê-la com massas de traços curvos reunidos numa série de tufos. Deixe as curvas em cada tufo fluirem em direções diferentes e você conseguirá desenhar com realismo o pelo duro e crespo desse animal.

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A PERSONALIDADE

Todo cão tem sua personalidade; assim, ao escolher um para seu modelo, trate-o como se estivesse retratando uma figura humana, ou seja, destaque-lhes os traços individuais ou as características de seu comportamento. Você pode identificar estas analisando, por exemplo, sua maneira de sentar-se.

A posição do animal apresentado nos desenhos abaixo diz muito sobre sua personalidade. Por outro lado, um único detalhe, devidamente trabalhado, pode ser mais significativo, nesse aspecto, do que num desenho muito elaborado. Ao lidar com um modelo canino, não se limite a produzir uma imagem fotográfica. Concentre-se nas características do cão escolhido: as orelhas caídas, olhar curioso, cauda abanando são detalhes importantes que indicam a personalidade do cão e dão mais vida a um desenho.

 

DESENHO DE GATOS

Entre os animais domésticos, os gatos parecem ser o motivo predileto dos artistas, sobre os quais exercem um fascínio irresistível com seu comportamento bastante peculiar, ora alertas e brincalhões, ora esquivos e misteriosos. Embora não ofereçam as mesmas facilidades dos modelos humanos, é aconselhável persistir na tentativa de registrá-los ao vivo, evitando recorrer à cópia fiel de fotografias, que nem sempre conseguem captar a graça e a agilidade desses animais.

Abaixo podemos ver os três tipos de gatos, segundo o corpo do felino: o persa, que é curto e entroncado com pêlo longo e abundante (A); o siamês, longo e esguio com uma pelagem brilhante e bem colada ao corpo (B); e o doméstico, de constituição mediana com pêlo curto e denso (C).

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ANATOMIA DO GATO

Para entender a forma do gato e a maneira pela qual se movimenta, é indispensável ter um conhecimento básico de sua anatomia. Observando com atenção a variedade de formas faciais e constitucionais encontradas nas diferentes raças de gatos, você chegará a precisão necessária para desenhá-los. O diagrama abaixo ilustra as características-chave da anatomia do gato. Examinando o corpo de perfil, você terá uma idéia da constituição geral e das proporções relativas de suas características.

Cabeça: Basicamente com o formato de um coração, é pequena em relação ao resto do corpo. Em média, quatro cabeças dão o comprimento do corpo (sem incluir o rabo).

Corpo: Embora oculto pela pelagem, é possível aprender muito sobre a anatomia do gato apalpando-o e observando a evolução de seus movimentos. Note, por exemplo, como as omoplatas movimentam-se junto com as patas dianteiras, com uma rotação no alto das costas e não no peito. Ao desenhar um gato, atente para as áreas iluminadas e sombreadas do pêlo, pois elas ajudam a descrever a estrutura óssea e muscular subjacente.

Pernas: Num exame minucioso, nota-se que as pernas dianteiras são tão diferentes das traseiras quanto uma perna humana é diferente do braço. As pernas dianteiras do gato são retas e afiladas, terminando em patas delicadas; as traseiras, por sua vez, apresentam um formato de “pernil”.

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GATOS EM MOVIMENTO

Os gatos são animais extremamente graciosos e ágeis, e o modo com que se movimentam e sustentam o corpo tem grande interesse visual.

O andar do gato: O andar de um gato se desenvolve em quatro momentos: perna dianteira direita, perna traseira esquerda, perna dianteira esquerda, perna traseira direita. No exemplo seguinte, uma pata dianteira levantada acentua a sensação de movimento. Esse é um truque clássico no desenho de animais em movimento. E para melhor representá-lo, as linhas estão soltas e apenas esboçadas.

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Gatos no pulo: Por serem caçadores naturais, muitos de seus movimentos respondem ao instinto de aproximar-se furtivamente da presa. Os desenhos seguintes mostram, em três etapas, um gato pulando. Note como as formas do corpo alongam-se ao final do cilclo. Neste esboço simples, o artista se utiliza da “linha sugerida”, isto é, ele faz pequenas interrupções nas linhas do desenho. Esta técnica permite imprimir movimento ao desenho: os olhos do observador, ao saltarem os espaços, ligam as linhas, dando-lhes continuidade.

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Os gatos têm uma coluna bastante flexível e uma forte estrutura muscular, o que explica a elasticidade de seus movimentos. Reproduza essa elasticidade em seus esboços, fazendo linhas fluidas e soltas. Desenhe com um material adequado, como um lápis macio, carvão ou pastel.
FILHOTES

Os filhotes são ao mesmo tempo receosos e curisosos. Em geral seu corpo expressa essa atitude, como o exemplo ao lado, que se arrisca a levar a cabeça e uma pata para frente, enquanto recua o corpo. Para enfatizar essa dualidade, escolha um ângulo em close-up que ressalta a expressão tímida, porém curiosa. Procure desenhar com traços curtos e pontilhados para indicar os pêlos e as manchas, pois a pelagem dos filhotes de gato geralmente são mais espaçadas e arrepiadas.

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OLHOS DO GATO

As características mais expressivas de um gato são os olhos. Esse animal parece comunicar satisfação, quando abre e fecha os olhos ao receber um afago ou uma palavra de elogio; alarme, arregalando os olhos quando se assusta por algum motivo; e agressividade, semicerrando os olhos quando se prepara para dar um bote.

Ao desenhar o olho de um gato, procure fazer uma esfera colocada na órbita funda do crânio. A superfície é intensamente refletora, devendo ser reproduzida de modo que as áreas brilhantes captem os reflexos de luz. Como as pupilas dilatam-se e contraem-se conforme a quantidade de luz que absorvem, isso explica porque a pupila aparece grande e escura ou, então, transforma-se em apenas um risco. Note que a pupila dá a impressão de flutuar, principalmente quando vista de perfil. É importante saber também que, embora o olho seja esférico, ele pode parecer redondo, oval ou amendoado, dependendo da raça.
O desenho abaixo, feito com caneta de desenho e tinta nanquim colorida, mostra o brilho esférico e transparente dos olhos, que foi obtido com níveis tonais de minúsculos pontos, com a projeção de uma sombra sob a pálpebra superior e reflexos brancos na superfície.

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EXERCÍCIOS PROPOSTOS

Uma das maneiras de dominar o escorço da figura humana, é conceber o corpo como uma série de cilindros. Isso torna mais fácil determinar as partes do corpo do modelo que estão mais próximas, e que, portanto, devem ser desenhadas desproporcionalmente maiores.

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Para conhecer tanto os cães quanto os gatos, suas formas, textura de pêlo e manchas, esboce-os constantemente. Use um lápis macio para fazer tons e linhas. Os exemplos abaixo mostram algumas variações possíveis para gatos.

A- Tons lisos e esfumados ressaltam a musculatura e o brilho dos pêlos do siamês.
B- As linhas fortes e suaves deste desenho descrevem a maciez de um filhote de pelo longo de cor creme.
C- Neste exemplo as listras claras acompanham os contornos do corpo, descrevendo assim a forma do gato.
D- Os tons mais claros foram obtidos com um lápis duro; um lápis macio traçou as encantadoras marcas desse filhote.
E- Usou-se o mesmo método para desenhar este gato rajado. As marcas criam padrões que ajudam a descrever os contornos da forma do gato.

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Parabéns! Se você chegou até aqui, com certeza esta desfrutando do poder de desenhar tudo o que quiser. O seu desenvolvimento como artista agora só depende de você e de sua prática. Contuarei postando dicas sobre outros recursos do desenho para que você possa se atualizar e praticar.

E se tiver qualquer dúvida ou desejar conhecer alguma coisa sobre desenho de forma mais detalhada, faça contato que eu terei prazer em ajudar.

Desenhando podemos tornar o mundo mais bonito….

 

 

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