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Aula 7 – O Padrão da figura Humana

Posted by Marcio Parente on 1 de Abril de 2015 in Avançado |

Os grandes artistas, preocupados com a expressão da beleza, sempre que a buscaram através do corpo humano, masculino ou feminino, canalizaram seus esforços para a formulação de um padrão de proporções, ou seja, de uma relação matemática que permitisse determinar a partir de uma relação, todas as medidas de um corpo ideal. Os dois padrões mais conhecidos e aceitos pelas culturas de influência greco-latina devem-se a dois grandes artistas da Grécia: Policleto, do século V a.C., e Lisipo, do século IV a.C.

A obra representativa do padrão de Policleto é a estátua chamada O Doríforo, conhecida também como O Padrão. Nessa escultura todas as medidas do corpo obedecem a relação matemática da proporção, onde a altura total do corpo é igual a sete vezes e meia a altura da cabeça (A). O padrão de Lisipo oferece uma idealização do corpo humano que lhe confere mais graciosidade, como a estátua de O Apoximenos, onde a proporção é igual a oito vezes a altura da cabeça (B). Quando ultrapassa oito cabeças, o padrão determina proporções mais próprias de heróis e semideuses que de seres humanos normais. Este é o caso do Apolo de Belvedere, de Leocares, estátua cuja figura tem uma altura de oito cabeças e meia (C).

01 proporçoes

Estas relações não são, de forma alguma, uma regra fixa. Artistas que trabalharam com a deformação da figura humana, como El Greco (1541-1614), costumava fazê-las com até dez cabeças de altura, dando-lhes uma elegância exageradamente escultural. Na vida real, em geral, as pessoas medem de sete a sete cabeças e meia. Os padrões atuais utilizam como figura ideal a altura equivalente a oito cabeças, que são os mesmos padrões anatômicos do Renascimento, pois essa estrutura intermediária proporciona uma maior elegância e uma melhor distribuição das partes do corpo humano. O importante é lembrar que as proporções do corpo adulto são basicamente as mesmas, seja qual for o modelo e a maneira de desenhá-lo.

 

Seguindo os padrões atuais, vamos aprofundar a análise do padrão da figura humana tomando como base o padrão de oito cabeças. Tomando como referência a altura da cabeça, podemos considerar que a altura total do corpo corresponde a oito cabeças, e a base corresponde a duas cabeças. O retângulo formado fica dividido, no sentido da largura, por um eixo de simetria e, no da altura, por sete linhas horizontais, com uma distância entre elas igual à altura da cabeça, que define oito módulos.

 

PADRÃO PARA O CORPO MASCULINO

  • Os ombros estão situados um terço abaixo da linha horizontal inferior do primeiro módulo.
  • Os mamilos coincidem com a linha horizontal inferior do segundo módulo.
  • A distância entre os dois mamilos é equivalente a um módulo.
  • O umbigo fica um pouco abaixo da linha horizontal inferior do terceiro módulo.
  • Os cotovelos e a menor parte da cintura estão sobre a linha horizontal inferior do terceiro módulo.
  • O púbis encontra-se no ponto médio do corpo, na linha horizontal inferior do quarto módulo.
  • Os joelhos ficam um pouco acima do limite inferior do sexto módulo.
  • A dobra inferior das nádegas situa-se cerca de um terço abaixo da linha horizontal inferior do quarto módulo.
  • Vista de perfil, a barriga da perna fica em contato com a linha vertical que passa pela omoplata.

02 proporçoes

 

PADRÃO PARA O CORPO FEMININO

  • As proporções femininas não são muito diferentes. Podemos resumir as diferenças nos seguintes detalhes:
  • Geralmente o corpo feminino é mais baixo que o masculino cerca de dez centímetros.
  • Os ombros da mulher são um pouco mais estreitos.
  • Os seios ficam um pouco abaixo do limite inferior do segundo módulo.
  • O umbigo é um pouco mais abaixo que o do homem.
  • A cintura é mais estreita e os quadris são mais largos.

03 proporçoes

 

PADRÃO PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES

As proporções do corpo de uma criança variam de acordo com as fases do crescimento. Por isso, não podemos representar uma criança simplesmente usando as mesmas proporções que usamos para representar pessoas adultas. O que devemos considerar, em primeiro lugar, é que a cabeça do homem é a parte do corpo que menos cresce. Nós nascemos com a cabeça e a barriga grandes, e com os membros curtos. No exemplo A, vemos uma criança com idade entre oito e doze meses, onde a cabeça equivale à quarta parte do seu corpo, o tórax e a barriga equivale à uma cabeça e meia, e os membros parecem proporcionalmente muito curtos.
Conforme o corpo ganha em altura, o crescimento fica mais concentrado nas extremidades. No exemplo B, com dois anos, o corpo assume um padrão de cinco módulos, no qual as pernas ocupam dois deles, assim como os braços, com o correspondente alargamento do tórax e do abdômen.
As crianças não crescem todas segundo um mesmo ritmo, porém, na média, dos dois aos seis anos as proporções de seu corpo passam a seguir um padrão de seis módulos, e as pernas são a causa principal desse crescimento ocupando quase três módulos, como vemos no desenho C.
Na figura D, vemos o corpo de um adolescente com um padrão de sete cabeças. O desenvolvimento torácico e o crescimento dos membros aproximam suas proporções das do adulto. Na verdade, muitos adultos não chegam a ultrapassar o padrão de sete cabeças.

04 proporçoes

 

É possível dizer que, desde a puberdade até a idade adulta, nosso desenvolvimento se manifesta por um crescimento maior das pernas que, em vez de três módulos, passam a ocupar quatro. No que se refere às proporções, note que as diferenças entre adolescente e adulto estão no comprimento relativo das pernas.
Considerando que as maiores dificuldades surgem quando queremos desenhar crianças pequenas, a ilustração E, mostra uma ampliação da criança com dois anos, pois este padrão foi um dos mais utilizados em toda a história da arte, principalmente no Renascimento, onde a representação de anjos era um tema recorrente nas pinturas religiosas.

05 proporçoes

 

A CABEÇA HUMANA

O padrão de proporções da cabeça humana é um guia bastante confiável para desenhar rostos imaginários e arquetípicos, ou para orientar os primeiros traços de um retrato. Este padrão funciona como um parâmetro, e não se deve esperar que seja sempre cumprido à risca. Desenhar a cabeça humana é um desafio. Nenhum outro motivo concentra tanta variedade de forma e expressão em tão pequena área. Ao olharmos para um rosto, nossa atenção é logo atraída para as feições do rosto, onde buscamos sua identidade, e isso nos faz esquecer que elas são parte de um todo. Por isso, a mínima variação das proporções pode levar a distorção dessa identidade. Até artistas experientes encontram dificuldades em transcrever aquilo que vêem numa cabeça, pois ela ilude muito os olhos.

A maneira mais fácil de visualizar a forma básica da cabeça humana é pensar num ovo apoiado em um cilindro. Para a cabeça vista de frente, o ovo deve estar na posição vertical com a parte mais aguda para baixo. Na vista de lado, o ovo deve estar inclinado a 45°. Para determinar as proporções corretas use a regra das metades. Divida o ovo horizontalmente na metade (A): isso define a linha dos olhos, a partir dessa linha, posicione outra linha horizontal um pouco acima, definindo a sobrancelha. Dividindo a metade entre a sobrancelha e o queixo, encontramos a base do nariz (B). Por fim, trace uma linha no ponto médio entre a linha do nariz e a do queixo, achando a linha da base do lábio inferior (C). Essas medidas permanecem constantes, seja a cabeça vista de frente ou de perfil.

06 cabeça

Este modelo é bastante simplificado, porém, pouco preciso. Na realidade, a parte superior da cabeça é arredondada, enquanto a região da face e das feições é achatada; além disso, ela contém mais planos. Um modelo mais preciso pode ser conseguido seguindo o procedimento do exemplo abaixo. Comece dividindo o ovo em quartos, onde a linha central corresponde aos olhos. Marque as outras posições usando a regra das metades. Agora corte as laterais do ovo em duas fatias iguais, formando assim, as partes achatadas da cabeça. Não corte demais para não alongar muito a cabeça. Faça o nariz que tem forma de cunha e sobe da sua base até a linha dos olhos. Trace a linha do queixo com dois “V”, sendo que a ponta de cada “V” cai a meio caminho entre a vertical central e a lateral. As extremidades abertas dos “V” terminam sobre a linha de base dos olhos, uma na linha lateral, outra no canto do olho oposto. Estruture os olhos e as sobrancelhas de tal modo que, unindo-se uma sobrancelha com a pálpebra superior do olho oposto, se forme um “X’ achatado. Note como as asas do nariz são marcadas por linhas que descem do canto dos olhos, enquanto as linhas que vêm das pupilas determinam os cantos da boca.

07 cabeça

O mesmo procedimento se aplica à cabeça de perfil. Após desenhar o ovo inclinado, trace uma diagonal bem no meio e use a regra das metades para marcar as divisões. Risque um quadrado abrangendo a linha dos olhos, o ponto médio da linha divisória e a parte inferior do ovo. Divida a seguir a base quadrada em quatro: a primeira divisão marca a direção do globo ocular; a segunda, a parte posterior do maxilar. Complete estes traços, inclusive a órbita do olho, e então trace o nariz. A própria base do quadrado define o maxilar inferior. Depois que ele estiver traçado, é fácil fazer a boca e a parte inferior do perfil.

08 cabeça

Uma das dificuldades no desenho da cabeça é definir as proporções quando ela se encontra entre a posição frontal e a de perfil. Neste caso, o melhor é imaginar dois ovos sobrepostos ao invés de apenas um. No exemplo seguinte, em A, os dois ovos quase coincidem, mas, à medida que a cabeça gira para B, um faz um movimento brusco para cima enquanto o outro se inclina lentamente para trás, até estacionar na etapa C. Na etapa D, o movimento do ovo para cima é horizontal, arredondando o crânio e achatando o rosto. Quanto a orelha, em A ela se destaca um pouco da silhueta, e o nariz se mantém nos limites da face. Já em D, a situação se inverte, e a orelha fica contida enquanto o nariz se projeta.

08a cabeça
De uma forma geral, apenas alguns eixos são suficientes para proporcionar a estrutura de uma cabeça, e a relação entre eles determina a posição dos elementos faciais. Embora seja difícil que uma cabeça normal se encaixe perfeitamente no padrão, é interessante saber que certas proporções são quase sempre obedecidas. Por exemplo: os olhos sempre se posicionam no centro da altura total da cabeça; a altura da orelha coincide com a linha das sobrancelhas e a base do nariz; a distância entre os dois olhos é sempre de um olho; a boca tem o tamanho aproximado de um olho e meio. Lembre-se que, em parte, é a diferença de proporções que distingue uma cabeça de outra. Não se prenda totalmente às regras, pois com alguma prática, você passará a desenhar à vontade e a usar as regras para simples verificações.

 

MODELANDO A CABEÇA

Após praticar o formato básico e as proporções da cabeça, o passo seguinte é modelá-la com tons de luz e sombra, reproduzindo a sensação de volume. Dois fatores principais influenciam na colocação dos tons: a própria estrutura da cabeça e a maneira específica pela qual a luz esta incidindo sobre ela. Quanto a estrutura, pode-se dividir a forma ovalada da cabeça em uma série de planos. Alguns dos planos quase não têm volume, como os lados achatados da cabeça, acima das orelhas; outros são levemente arredondados, como as protuberâncias da testa, e você deve empregar uma sombra muito sutil para indicar sua forma, que em geral é recurvada.

A maior parte das mudanças de planos se concentra em torno do nariz e da boca, onde a anatomia muscular é mais complexa. Mesmo assim, é possível estabelecer um padrão: em rostos carnudos e sorridentes, os planos tendem a se irradiar para fora e para baixo, partindo das asas do nariz. A vantagem de considerar a cabeça como um conjunto de planos é que assim você pode simplificar o estudo de luz e sombra. Mas não deixe de observar de que lado a luz incide, para decidir quais tons deverá colocar e aonde. Até ficar treinado em desenhar cabeças, você deve iluminar seus modelos com uma única fonte de luz, de preferência intensa, realçando assim as diferenças tonais.

Nos exemplos abaixo, em A, a luz vem da esquerda, fazendo com que os planos tonais da direita fiquem escurecidos e com a forma ligeiramente alterada. Em B, as partes iluminadas da testa, nariz e queixo, mostram que a luz incide de cima e de frente.
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Assim como as proporções do corpo humano são diferentes durante as diversas fases do crescimento, o padrão da cabeça de uma criança também é bem diferente do adulto. A metade da altura da cabeça coincide com a sobrancelha; a separação entre os olhos é menor; a testa é mais ampla, com um pouco de cabelo no alto e dos lados; o nariz é diminuto; as orelhas são maiores; o queixo é pequeno e redondo.

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OS ELEMENTOS FACIAIS

O conhecimento do padrão de proporções permite estruturar uma cabeça humana que é composta por vários elementos: testa, sobrancelha, olhos, orelhas, nariz, boca e queixo. A diferença que estes elementos apresentam de pessoa para pessoa é que nos permite lhes conferir uma identidade. Não existe uma forma ideal para esses elementos. Mas, é possível estudá-los através de formas arquetípicas, com exemplos e observações de aplicação geral.

OLHOS

Os olhos são o traço facial que melhor transmitem os sentimentos e o caráter de uma pessoa. Se você conseguir um bom resultado ao desenhar os olhos de seu modelo, provavelmente chegará a um retrato convincente. Da mesma maneira, qualquer falha na execução dos olhos comprometerá o resultado final. Como qualquer outro traço facial, os olhos variam muito em detalhe de uma pessoa para outra. Porém, sua estrutura básica é sempre a mesma. Conhecendo as regras gerais, você poderá registrar com facilidade as características particulares de cada modelo.

REGRAS GERAIS

A estrutura básica do olho é constituída por uma esfera, com a pupila (o círculo preto central) e a íris (o anel colorido que a circunda) dispostas sobre uma superfície (A). Adicionando uma pálpebra sobre essa esfera, observamos que menos da metade do globo ocular fica visível (B). O globo ocular e as pálpebras são tridimensionais, onde as pálpebras formam bordas acima e abaixo do olho, e pelo ângulo de inclinação, a borda da pálpebra inferior geralmente permanece visível.

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O olho abre e fecha mais pelo movimento da pálpebra superior. A inferior quase não participa da ação. Por isso, a amêndoa dos olhos não é horizontalmente simétrica, ficando o arco da pálpebra superior com uma curva mais acentuada (A). Na visão de perfil do olho, o globo ocular é mais saliente na região da íris, onde as pálpebras têm espessura defidina (B). Com o olho voltado para o alto, a área mais escura é a da pupila e a borda da pálpebra superior se torna visível (C). Quando o olho está voltado para baixo, a borda inferior da pálpebra fica visível e as duas assumem a forma amendoada do globo ocular (D).

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Como os olhos são dois, é mais comum que tenhamos que representá-los em conjunto nos desenhos de pessoas. Neste caso, devemos considerar que o rosto inteiro se estrutura sobre uma superfície curva, e os olhos são esféricos e estão embutidos em cavidades desse plano curvo. Nessas condições, só vemos os dois olhos como formas idênticas na visão frontal do rosto. Em todos os demais casos, um dos dois será visto mais de perfil.

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Para que os olhos tenham expressão ao olharem, a direção do olhar tem grande importância, compartilhada pela abertura das pálpebras e pelo gesto das sobrancelhas. Olhos, sobrancelhas e boca são os principais protagonistas da expressividade do rosto. O olhar assinala uma direção, e ao desenharmos um rosto, devemos ter cuidado especial em fazer com que ambos olhem para o mesmo foco, evitando assim olhos estrábicos ou vesgos.

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Os olhos giram ao mesmo tempo para o alto e para baixo, como se respondessem a ação de um mesmo eixo horizontal. Na horizontal, giram como se obedecessem a um mecanismo parecido com o da direção de um automóvel. A verdade é que esses problemas têm uma única solução: dar muita atenção à observação do modelo para compreender o que dizem os seus olhos, e saber imaginar essas esferas móveis dentro de suas cavidades

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ORELHAS E NARIZ

As orelhas possuem, em geral, uma forma oval com uma forma circular na parte inferior. Estas formas variam conforme as características de cada pessoa. O que devem ser observadas nelas, são as saliências que ocorrem nos músculos que compõem a orelha. Somente a observação e a prática nos desenhos poderão lhe conferir precisão ao desenhá-las.

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O nariz possui uma forma que se assemelha a uma pirâmide irreguar alongada. A ponta do nariz pode ser arredondada, quadrada ou afunilada, e os lados, onde ficam as narinas, também podem assumir formas diferentes conforme as características pessoais. O nariz é uma parte determinante na construção de um rosto, pois ele serve como referência para o posicionamento dos olhos e da boca. Tenha sempre muita atenção nas proporções do nariz ao desenhá-lo, pois um alongamento ou redução de seu tamanho poderá comprometer todo o desenho.

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BOCA

Todas as bocas têm basicamente a mesma estrutura fisiológica, constituída pelos músculos e ossos da cabeça. O ponto em que a boca se situa entre o nariz e o queixo, a sua largura em relação à cabeça, e mesmo o tamanho do lábio superior, comparado com o inferior, são regulados por normas gerais. O que dá características exclusivas a uma boca é a maneira pela qual sua forma e suas dimensões variam em relação a essas regras. Para fazer essas distinções, é preciso captar os detalhes básicos, como forma geral e posicionamento correto, para depois registrar suas qualidades mais sutis. A expressão geral do rosto depende muito do que a boca consegue transmitir.

Como regra geral para o desenho da boca, podemos dizer que: o lábio superior é mais fino que o inferior e compõe-se de quatro planos, dois de cada lado de uma linha divisória central que se projeta para frente. O lábio inferior tem três planos, sendo um central levemente saliente e dois laterais menores, inclinados (A). Os planos da boca são totalmente visíveis de frente e de meio perfil, embora fiquem menos evidentes num sorriso (B). A cor escura dos lábios nem sempre preenche a boca inteira; às vezes vê-se uma linha pálida em tormo dos lábios (C). Lábios sorridentes tornam-se mais alongados e estreitos, e a linha horizontal que os separa volta-se ligeiramente para cima nos cantos. Isso faz com que a região acima dos cantos da boca fique sombreada (D). Num sorriso amplo, o lábio inferior achata-se, perde sua forma independente e é afetado pela constituição do maxilar e dos dentes inferiores. A sombra curta e profunda que aparece embaixo da boca mostra-se contínua e achatada, estendendo-se em torno do lábio, até o canto da boca (E). De perfil, o lábio superior projeta-se ligeiramente sobre o lábio inferior (F).

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TRONCO E MEMBROS

O tronco é a parte do corpo onde se encontram o pescoço, o tórax, a barriga, os quadris, as genitálias, as costas e as nádegas. Existe nessa área uma concentração muito grande de músculos, e isso cria muitos relevos e curvas distintas, tornando esta região bastante sinuosa. A estrutura anatômica do corpo exige um conhecimento amplo da estrutura óssea e muscular, porém, através da observação, é possível conseguir bons resultados ao desenhar o corpo humano, se mantivermos as proporções adequadas na distribuição das partes. No homem, o comprimento total do tronco, do queixo até o púbis, vale três cabeças, e pode ser dividido em três partes iguais, nos mamilos e no umbigo. Os ombros, que são os pontos mais largos, medem a altura de duas cabeças. A diferença de padrão para a mulher, é que nelas os peitos são maiores, criando mais volume; os mamilos e o umbigo estão posicionados um pouco mais baixo que nos homens; e os quadris possuem, em geral, a mesma largura dos ombros.

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MÃOS, BRAÇOS, PERNAS E PÉS

Quando se trata de trabalhar a figura humana, os principiantes geralmente procuram esconder as extremidades do corpo do modelo, para não ter de reproduzi-las. Realmente, essas partes apresentam dificuldades até para artistas experientes, mas, deixando-as de lado, você perde um recurso muito expressivo e um importante elemento da composição. Vale a pena exercitar-se nesse aspecto até chegar as proporções corretas.

MÃOS

Como regra geral, lembre-se de que os dedos equivalem à metade do comprimento total da mão; a mesma medida corresponde à largura da mão na altura das juntas; os dedos possuem comprimentos diferentes e o alinhamento das juntas forma um arco (A). Essas proporções, contudo, variam muito de indivíduo para indivíduo. Observe bem sua própria mão e use-a como modelo para começar a se exercitar. Tenha em mente que o tamanho da mão sempre é maior do que parece, e com frequência, iguala-se com o da cabeça. Os pontos de articulação da mão são úteis para mantermos as proporções. Para desenhar mãos, trace enquadramentos que assinalem de maneira genérica as zonas que serão ocupadas pelas diferentes massas (B).

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BRAÇOS

Ao desenhar braços, tenha como principal objetivo transmitir uma impressão de volume. Para alcançar esse objetivo, simples contornos não bastam, pois os volumes se apresentam melhor com os efeitos de luz e sombra. Facilite o trabalho procurando indícios de ossos ou músculos na superfície. No exemplo abaixo vemos quatro posições possíveis.

A-Braço esticado, visto por trás. Mesmo num braço feminino, os músculos avolumam-se ao longo de toda parte interna.
BBraço esticado, visto de perfil. O volume dos músculos é mais evidenciado na parte externa do braço do que na parte interna do antebraço.
CBraço dobrado, visto por trás. Os ossos do cotovelo assumem uma forma triangular.
DBraço dobrado, visto de lado. Embora os músculos sejam menos evidentes, o braço todo parece mais cheio.

004braços

 

PERNAS

As pernas apresentam grande variedade de forma e tamanho. Assim, procure distinguir as características da cada modelo antes de iniciar o trabalho. Tenha sempre em mente que o segredo para desenhar pernas está em compreender bem a distribuição do peso: a perna que sustenta o peso do corpo invariavelmente apresenta um aspecto distinto da que está relaxada. Evidencie essa diferença enfatizando os músculos tensos por meio de contornos mais fortes e modelagem tonal mais definida. Note que as mulheres normalmente têm joelhos para dentro, pois o ângulo entre os quadris e os joelhos é maior nela que nos homens. Estes, em geral, têm as pernas arqueadas, devido ao fato de seus quadris serem mais estreitos.

No exemplo abaixo, vemos uma posição de contrapposto, com um lado do quadril mais levantado que o outro, onde a forma da perna direita, sobre a qual recai o peso do corpo, é bem diferente da perna esquerda que está relaxada. Nos esboços, o peso da figura da esquerda está distribuído em direções paralelas entre as duas pernas; vista de perfil, a perna forma um S alongado, que vai do quadril até o pé.

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Por mais precisa que seja sua técnica, você só conseguirá tornar os membros expressivos se os abordar como parte integrante de um conjunto vivo. Lembre-se de que, tanto o rosto, os gestos, as posições, a própria pele das extremidades do corpo transmitem estado de espírito, sentimentos e emoções da pessoa.

 

PÉS

O pé possui uma estrutura bem definida, por isso, ao exercitar-se no desenho do pé, procure conhecer bem essa estrutura analisando-a cuidadosamente. As várias visões possíveis do pé possuem características próprias à saber:

Pé visto de cima

Parte externa. Note a ponte chata (a) entre a perna e o pé, e o arco (b) em cima do pé. O segundo dedo (c) é o mais longo; os quatro dedos menores (d) curvam-se para baixo. A sola por fora (e) é chata e o osso do tornozelo (f) é bem centralizado.

Parte interna. O dedo maior (g) tem uma junta a menos que os outros, e o tornozelo (h) mostra-se mais alto que na parte externa. A sola é arqueada (i) e a forma arredondada (j) do dedo maior apresenta uma protuberância. Um tendão grande (l) está ligado ao calcanhar (k).

Parte superior. O osso da parte interna do tornozelo (h) é mais alto que a parte externa (f). Um grande tendão (b) forma uma rampa na direção da ponta. Note que a ponta dos dedos é mais cheia (c).

006pes

 

Pé visto de baixo

Sola. Na parte interna formam-se rugas (i) em torno da curva. A protuberância do juanete (j), a parte externa (e) e o calcanhar (k) são carnudos.

Pé visto por trás

Observe a forma do grande tendão (l), do calcanhar (k) e da curva interna (i) e o contorno carnudo do lado externo (e).

007pes

 

A MODELAGEM DA FIGURA HUMANA

Modelar é estabelecer no desenho os contrastes mais ou menos fortes ou mais ou menos suaves que uma fonte de luz define sobre os corpos, de modo que a vista interprete o relevo das coisas em função da maior ou menor intensidade do tom de suas diferentes partes. Portanto, o aspecto de um modelo de um corpo humano dependerá muito diretamente das características da luz que incide sobre ele.

Para modelar a figura humana, maculina ou feminina, será bom começar por algumas normas pontuais que orientarão o seu trabalho:
1 – Nunca molde por partes. A modelagem de uma figura deve avançar sempre em sua totalidade, começando por uma tonalização suave de todas as suas partes, para depois ser reforçada a partir dos primeiros cinzas, sempre no desenho todo.
2 – Lembre-se de que existe uma lei de contrastes simultâneos, segundo a qual um branco é mais branco quanto mais escura for a tonalidade que o rodeia.
3 – Ao moldar uma figura humana em todos os seus detalhes, leve em conta que a cabeça, os braços e as pernas apresentam uma tonalidade geral um pouco mais escura que a do resto do corpo.
4 – Não se esqueça que uma figura está imersa numa atmosfera na qual seus contornos se fundem. Se você der nitidez aos planos iluminados e borrar um pouco os contornos da figura, principalmente em áreas merguhadas na sombra, conseguirá uma melhor atmosfera.
5 – Por último, não deixe de representar o halo de luz refletida que normalmente aparece no contorno da área mais escura da figura, imediata à zona de sombra.

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A modelagem do corpo masculino segue os mesmos parâmentros da figura feminina, com a exceção de que o corpo masculino, geralmente é mais musculoso. Por isso, um cuidado maior na iluminação do modelo poderá gerar melhores resultados. Um estudo de observação da anatomia humana lhe permitirá conhecer os padrões dos relevos que envolvem o corpo humano.

009escorço

 

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

Para desenhar o corpo humano, devemos estar atentos às proporções que ele apresenta, e se não estivermos utilizando um modelo, valem os padrões estudados neste módulo. Quando os padrões estiverem bem memorizados, uma estrutura simples de “esqueleto”, será o suficiente para a distribuição das partes do corpo, assim como de seu movimento. Muitos artistas fazem uso de um boneco articulado de madeira para criar posições para seus desenhos. Este é um recurso interessante, apesar de um pouco limitado, pois as articulações do boneco, nem sempre traduzem os movimentos reais do ser humano.

019retrato

Uma forma simples de estruturar um corpo humano é dividir suas proporções sobre um esqueleto básico, com pequenas circunferências nas articulações, e depois acrescentar os volumes das partes.

Este modelo, embora bem simplificado, permite criar movimentos partindo das articulações pré-determinadas. Procure manter as proporções: com a área da linha dos ombros até a púbis com duas cabeças e meia; a parte superior da perna com a medida de duas cabeças e a inferior mais o pé, também com a medida de duas cabeças; o braço do ombro ao cotovelo com uma cabeça e meia, o antebraço e a mão com uma cabeça cada; a largura dos ombros com duas cabeças de medida.

A utilização de formas cilíndricas poderão complementar o volume facilitando o posicionamento das partes antes do acabamento final. Este é um exercício para esboços, somente sua prática o levará a uma maior precisão.

020retrato

Para praticar o desenho de cabeças, escolha imagens de revistas ou jornais onde apareçam rostos em diversas posições, e com uma caneta hidrográfica, aplique as regras do ovo e das metades dividindo a cabeça com linhas paralelas. Confira as relações de proporção que são apresentadas neste módulo. Este exercício também pode ser feito em ampliações de fotografias três por quatro, pois a posição frontal facilita as divisões.

Para exercitar a modelagem da cabeça, utilize as mesmas imagens usadas no exercício anterior e aplique as variações tonais, seguindo uma iluminação direcionada. Procure trabalhar com imagens que possuam uma iluminação que proporcione sombras mais agudas. É importante também, praticar o desenho dos elementos faciais de forma isolada. Isso permitirá uma maior observação dos detalhes que cada parte possui, aumentando o seu repertório de imagens registradas.

O conhecimento da anatomia do corpo humano é algo complexo, pois são muitas as variações que ocorrem nos volumes musculares em cada posição diferente que o corpo possibilita. Por isso, procure imagens de atletas em exercício para praticar. Aplique as variações tonais procurando recriar os volumes conforme você os vê. A observação e a cópia com o tempo, lhe darão conhecimento suficiente para que você possa desenvolver desenhos de memória com boa precisão.

 

Agora que você já esta conhecendo o corpo humano e seus detalhes, podemos seguir para a Aula 8 – Reflexões sobre a arte do retrato

 

 

 

9 Comments

  • Danilo disse:

    muito bacana o material, parabéns. Estou pesquisando (para estudos anatômicos pra fins de escultura digital especificamente do corpo masculino) sobre diferença nas proporções em relação as raças humanas (caucasoide, negroide, mongoloide) li isso em algum lugar, mas era superficial, que ha algumas diferenças, tipo os braços dos mongoloides são um pouco maiores e que as pernas dos negroides tbm são maiores em relação ao caucasoide, mas tudo que acho na net ta relacionado a matérias polemicas sobre racismo. alguma indicação de material voltado pra estudos anatômicos pra desenhos ou esculturas?

    • Marcio Parente disse:

      Olá Danilo. Nas questões das proporções anatômicas seus estudos devem se voltar para a antropologia. As relações que proponho aqui no curso são genéricas, e no caso das diferenças entre etnias existem sim características marcantes que podem ser definidas por observação. Se pegar os negros na África, por exemplo, vai observar que cada grupo de uma localidade específica possui grandes diferenças de outros grupos. Uns de rosto mais redondo, outro mais agudo, uns mais altos outros mais baixos e assim por diante. Uma coisa importante para se observar é a relação do tamanho da cabeça com a faixa etária, que em qualquer raça será sempre parecida. Espero ter ajudado e obrigado por participar.

  • Edmilton Sebastião disse:

    Olá márcio!
    Gostei muitíssimo do seu site.Gostaria de estudar com você, desde a primeira aula. É possível? Tem tudo que eu preciso para meu estudo de anatomia. Meu muito obrigado a você, por compartilhar seu rico conhecimento. Um abraço.

  • Janete Costa Fernandes disse:

    Maravilhoso, bem e xplicado, tirou dúvidas que eu tinha em proporção da figura humana. Muito obrigada.

  • Jair de Oliveira disse:

    Marcio Parente: espetacular, com certeza vou aprender muito com você
    .Como faço para ter acesso às aulas anteriores, desde o seu início?
    Muito obrigado por compartilhar sua arte conosco.

    • Marcio Parente disse:

      Olá Jair. Que bom que gostou, espero que o curso te ajude a desenvolver suas habilidades com o desenho. Na página inicial do blog existe um link para cada aula. Eu sugiro que comece do início na Aula 1, é um pouco chato pois tem algumas teorias. Mas são informações que vão prepara-lo para as aulas posteriores.
      Faça os exercícios e me dê retorno para avaliarmos juntos o seu desenvolvimento. Obrigado por participar.

  • Marcio Parente disse:

    Obrigado. Fico feliz que tenha gostado.

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