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Aula 6 – Como Criar Texturas

Posted by Marcio Parente on 1 de Abril de 2015 in Intermediário |

REFLEXOS NA ÁGUA

 

A água é um dos elementos da natureza que mais fascinam e, ao mesmo tempo, desafiam os artistas. Dependendo da maneira como se movimenta ou como reflete a luz, a água oferece os mais diversos espetáculos visuais. Não é fácil reproduzi-los, mas, observando algumas regras básicas, você poderá alcançar resultados bastante satisfatórios.

 

INCLINAÇÃO E COMPRIMENTO

 

Antes de tudo, observe que o comprimento de um reflexo varia conforme a direção em que se inclina o objeto refletido. Assim, se este se inclina na sua direção, o reflexo será mais comprido (A); e se estiver inclinado para o lado contrário, o reflexo será mais curto (B). Quanto mais acentuada for a inclinação, maior a diferença de comprimento; se não houver inclinação, o objeto e o reflexo terão o mesmo comprimento (C). Note também que os reflexos sempre se inclinam para o mesmo lado e no mesmo ângulo dos objetos (D). Em geral, pensa-se, erroneamente, que os reflexos mostram o objeto de ponta-cabeça. Na verdade, eles são imagens em espelho, e se a água estiver calma, podemos ver partes do objeto que estão ocultas para o observador pelo seu ângulo de visão. No exemplo (E), podemos ver que o reflexo do barco revela a parte de baixo do teto da cabine.

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EFEITOS DO MOVIMENTO

 

Na água tranqüila, os reflexos são diretos, e sua reprodução apresenta menores dificuldades. Muitas vezes, para dar idéia de profundidade, é preciso usar as leis da perspectiva. Neste caso, lembre-se que tanto os objetos quanto seus reflexos vão perdendo sua nitidez à medida que se distanciam do observador. Na água agitada, os reflexos interrompem-se em múltiplas ondulações; para reproduzi-los você terá que aplicar as leis da perspectiva. Note que os reflexos parecem maiores e mais espaçados quando estão perto do observador, e menores e mais juntos quando vistos ao longe. Na base do objeto refletido, eles transformam-se em massa densa (A). Na água agitada, os reflexos que eram diretos na água calma, interrompem-se e parecem mais compridos. O céu reflete-se nas depressões formadas pelas ondulações (B).

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Reflexos de objetos negros, como o exemplo ao lado, são mais claros que os objetos refletidos, devido à transparência e à cor da água. Os reflexos parecem maiores e mais espaçados quando estão perto do observador.

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LUZ E TOM

 

O reflexo pode ser claro ou escuro, dependendo da posição do sol. Se este incide sobre a água e o objeto está na sombra, o reflexo é mais claro que o objeto; se, ao contrário, o sol incide sobre este, o reflexo é mais escuro. As cores são ligeiramente mais escuras nos reflexos que nos objetos. Contudo, os reflexos de objetos negros costumam apresentar-se mais claros, pois são modificados pela transparência e pela cor da água. A água e a luz estão em constante movimento, o que altera sua aparência e também a de seus reflexos. Observe a água de diversos pontos, em diferentes horas do dia, para constatar a amplitude dessas variações.

Antes de tentar reproduzir reflexos, é preciso treinar bem os olhos, para selecionar os mais significativos. Ao desenhar, trabalhe com rapidez e despreze os detalhes menos importantes, pois o que você vê está em constante mudança. Indique a direção geral dos principais reflexos. Em seguida, acrescente as massas tonais mais escuras e complete o trabalho com gradações mais claras.

 

COMO CRIAR TEXTURAS

 

Todo artista conhece os desafios colocados pelo problema da textura que, ao lado da cor e do tom, constitui um importante meio para caracterizar os elementos de um desenho. Mas nem sempre é necessário reproduzir com nitidez a textura de todos os elementos de um desenho; a menos que a cena seja simples, pois o excesso de detalhes nas texturas tende a deixar a imagem confusa.

 

A impressão de textura é reproduzida num desenho para reforçar o efeito realista de seus elementos. Na verdade, não se trata de fazer uma cópia fotográfica de um objeto, mas de trabalhar traços e tons de maneira que indiquem adequadamente a qualidade da sua textura e, ao mesmo tempo, dêem ao seu trabalho um centro de interesse vívido e realista.

 

Um recurso útil para reproduzir texturas é a técnica da frotagem. Para isto, basta colocar uma folha de papel sobre um pedaço de madeira com veios (A), ou sobre um tecido de trama aberta (B), ou ainda, sobre um tijolo (C), e com um lápis inclinado, num tom médio, friccionar sobre o objeto usando uma pressão uniforme. Para captar melhor tons mais escuros, use um lápis macio e friccione com mais força.

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Não há regras rígidas e fixas sobre a melhor maneira de reproduzir texturas de modo realista. O melhor é experimentar as diversas possibilidades e ver quais as que funcionam e quais não. No entanto, convém levar em consideração algumas diretrizes básicas.

 

Se a textura do seu motivo é áspera, procure trabalhar sobre papel igualmente áspero e use lápis macios, mais adequados a esse tipo de papel. Da mesma forma, superfícies polidas ou brilhantes são mais bem reproduzidas num papel liso, com um lápis duro. De maneira geral, evite composições nas quais todos os elementos tenham o mesmo tipo de textura. Se você colocar superfícies ásperas e lisas lado a lado, o contraste lhe dará um aspecto mais real.

 

COMBINAÇÃO DE LINHAS E TONS

 

Alterando a pressão e a direção dos seus traços, você pode obter uma variedade de texturas. Os exemplos abaixo mostram algumas variações possíveis.

A – Traços verticais irregulares, criados movendo-se o lápis para baixo e para cima, sem tirá-lo do papel.

B – Linhas irregulares contínuas, onde a textura é obtida simplesmente variando a pressão.

C – Traços bem curtos, que se tornam mais longos e recebem pressão maior a medida que descem.

D – Mais traços curtos, variando a pressão no sentido longitudinal.

E – Linhas longas e irregulares, traçadas com uma ponta chata e com menos pressão à direita.

F – Linhas curtas e em ângulo, com pressão variável da direita para a esquerda e de cima para baixo.

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TEXTURA NOS ELEMENTOS

PEDRA – Em geral existem fortes contrastes tonais entre áreas de luz e de sombra, além das fissuras profundas e escuras em todas as superfícies. Reproduza essas qualidades através da variação entre sombreados leves e intensos. Sugira a dureza com contornos de linhas fortes.

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PAPEL – O papel amassado forma pregas rijas e planos definidos. Ressalte essas qualidades, com linhas de contorno fortes e sombreado leve nas áreas menos iluminadas. Em papel branco, em geral os tons são de alta intensidade, contrastando pouco entre si.

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PÊLOS – Para criar a ilusão de pêlos ou cabelos, recubra a estrutura tonal básica com linhas de densidade variada. Num animal de pêlos longos, eles são mais fortes, pronunciando-se nos claros e nos contornos da forma. Nos pêlos curtos, os tons subjacentes ganham maior ênfase.

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METAL POLIDO – Para reproduzir a textura dura e lisa do metal, acentue os contrastes tonais, criando divisões marcantes entre um tom e outro. Mantenha, em cada parte, uma colocação uniforme, sem prejudicar o efeito de textura lisa.

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METAL ENFERRUJADO – Como praticamente não há nenhum reflexo de luz, os tons são mais uniformes e de baixa intensidade. Note que a superfície acidentada do metal é representada por um padrão irregular de tons médios e escuros.

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MADEIRA – Como a madeira tende a não refletir muita luz, mantenha os tons de baixa intensidade e evite contrastes fortes entre as áreas claras e escuras, esfumando os sombreados suavemente. Para indicar a textura raiada e granulada, trace linhas de comprimentos e espessuras variadas e faça manchas de tons escuros.

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VIDRO – A maioria dos tipos de vidro são tranparentes. Por isso, para reproduzi-los é preciso considerar o conteúdo do vidro, se for um recipiente ou uma janela, considere o que está por trás dele. Reflexos claros e nítidos são um bom índice de que o observador está diante de uma peça de vidro. Todavia, como no caso do metal, os indícios mais evidentes são o contexto e a forma do objeto.

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TECIDOS – Embora raramente constituam o motivo principal de uma composição, os tecidos estão presentes em muitas naturezas-mortas, cenas de interiores e retratos. Com efeito, os tecidos sempre assumem a forma da pessoa ou do objeto que revestem. Mas isso não é razão para descartá-los de uma composição. Para reproduzir um tecido, basta dividir as dobras e as áreas tonais num desenho linear, e depois acrescentar as variações tonais. Repare que um tecido não possui linhas verdadeiras além das bordas.

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Ao observar o tecido como vestimenta, você perceberá que cada tipo de tecido oferece um caimento diferente, mas eles sempre emolduram o corpo que os veste. Para desenhar tecidos é preciso estar atento às variações tonais e às pregas que se formam em algumas partes, gerando contrastes mais acentuados.

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O ESFUMADO

 

Você já deve ter olhado com admiração para um desenho a lápis tão suavemente esfumado, que fica difícil imaginar de que maneira o artista trabalhou os tons até torná-los uniformes como se fossem feitos com pó de carvão. A resposta está em esfumar e misturar os traços de lápis esfregando-os delicadamente com um esfuminho, com o dedo ou com um pedaço de pano ou lenço de papel. Antes de começar a desenhar, defina as áreas que pretende esfumar, bem como os instrumentos que planeja utilizar e não exagere no uso. A combinação de áreas com traços e áreas esfumadas cria um contraste mais interessante. No exemplo abaixo, o brilho do pêlo do cavalo foi feito com esfuminho de papel, e uma borracha foi usada para obter o forte contraste entre o poste branco do primeiro plano e a sombra escura do pescoço do animal.

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015 texturaOs esfuminhos são feitos de papel enrolado e bem apertados. São muito úteis para os desenhistas, pois com eles é possível criar texturas aveludadas e brilhantes e dégradés suaves com um efeito muito realista. Ele deve ser utilizado de lado para esfumar áreas grandes e de ponta para os detalhes. Quando sua ponta estiver muito carregada com grafite, você pode limpá-la desenrolando a parte suja até que fique com a ponta toda limpa.

 

 

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

 

Este módulo lhe possibilitou conhecer as características dos reflexos que os objetos apresentam quando estão sobre a água. Isto lhe permitirá observar com mais precisão paisagens de marinas e outras em que a água se mostra presente. A água dificilmente aparecerá como motivo principal, mas como elemento secundário de uma composição, ela possui extrema força, e realçará o motivo se for aplicada com precisão. Também foi visto neste módulo a criação de texturas. Elas representam a personificação do objeto desenhado, e o domínio das técnicas de construção de texturas lhe darão habilidades para desenhar qualquer tipo de material. Em ambos os casos, a obtenção de bons resultados vai depender muito da habilidade na organização dos tons.

 

Os desenhos em que aparecem rios, lagos, mares, ou até poças d’água podem ser feitos por observação direta, ou por fotografias. De qualquer maneira, é importante praticar desenhos onde a água se mostre presente, pois os efeitos que ela proporciona são únicos e transmitem uma emoção ímpar. Nos exemplos abaixo, podemos ver a água agitada. No primeiro plano, a superfície parece interrompida pelas ondulações, e apenas algumas áreas refletem a luz. Ao fundo, só os picos iluminados são visíveis, criando uma única massa brilhante (A). Quando a água está calma, os reflexos são diretos, como imagens em espelho. Quanto mais longe estão os reflexos, menos nitidamente aparecem (B).

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CRIANDO TEXTURAS

 

Ao indicar a textura de um objeto, você está criando a ilusão das características táteis desse objeto na vida real. Para muitos principiantes, esse conceito chega a ser desconcertante; por estarem acostumados a registrar apenas o que vêem; sugerir a sensação tátil de algum objeto equivale a ter que desenhar o cheiro. Qualquer que seja o material, porém, existem diversas técnicas que permitem representar a textura. Em geral, a maior dificuldade está em escolher a mais apropriada para o objeto em questão.

Uma sugestão útil é apalpar o objeto de olhos fechados. Pegue, por exemplo, um pedaço de pau. Assim que o tocar, você perceberá que ele está marcado por uma série de pequenas saliências e estrias. Tente reproduzi-las, lembrando que, para destacar a textura, você talvez tenha que exagerá-la. No exemplo abaixo podemos ver uma combinação de texturas onde os tons foram cuidadosamente equilibrados para que o contraste gerasse tensão.

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019 texturaFaça um arranjo com objetos de metal polido e vidro transparente, para exercitar-se na reprodução dessas superfícies refletoras. O desenho ao lado mostra uma taça para vinho, uma garrafa e uma coqueteleira de metal polido, recebendo luz do alto, de modo que pouquíssima sombra se projeta sobre a mesa.

Note que os objetos de vidro foram desenhados como linhas; as formas visuais através da garrafa indicam sua transparência. Já na coqueteleira os padrões de claro e escuro são bem definidos.

 

Para desenhar tecidos, você pode exercitar-se pendurando na parede um simples pedaço de tecido macio como um lenço de cabeça. Ajeite-o de forma que ele proporcione dobras interessantes, porém simples, e desenhe-o se concentrando nas formas. Quando estiver satisfeito com o desenho, comece a aplicar os tons. Quando estiver satisfeito com os resultados do tecido na parede, coloque-o sobre um objeto simples, como uma caixa de madeira, e observe como a forma do objeto determina o caimento do pano. Faça uma série de esboços rápidos para demonstrá-lo.

Quando estiver seguro nesses exercícios, passe a desenhar vestimentas. Procure colocar o motivo de forma que favoreça o caimento do tecido, criando uma variedade de dobras. Seja qual for o tecido escolhido, desenhe-o de modo a refletir a estrutura do corpo que reveste. Não se esqueça de que cada tipo de tecido se relaciona com o corpo de forma diferente.

Para reproduzir tecidos estampados, examine bem o tecido e divida-o em várias partes, determinadas pelo caimento, e desenhe uma a uma. Note que a estampa ou padrão segue direção diferente em cada uma das partes. Não se preocupe em reproduzir todos os detalhes da estampa, selecione somente aqueles que contribuem para enriquecer o trabalho.

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Agora que você já esta conhecendo como a textura pode enriquecer o seu desenho, podemos seguir para a Aula 7 – O Padrão da Figura Humana

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