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Aula 4 – A Força dos Tons

Posted by Marcio Parente on 1 de Abril de 2015 in Intermediário |

Tom é uma medida de claro escuro, logo, está relacionado diretamente com a luz. Ele define o quanto de luz chega realmente na nossa retina. A quantidade de luz varia de um objeto para outro. Numa imagem em preto e branco não há cores, apenas tons, que vão do branco, passando por diferentes intensidades de cinzas, até o preto. Apesar disso, tudo aparece com clareza, pois os tons retratam com precisão a quantidade de luz refletida por cada objeto da imagem.

 

Embora cada cor tenha sua tonalidade própria (matiz), esta pode ficar mais clara ou mais escura, dependendo da quantidade de luz que incida sobre ela. Por isso, não existe uma fórmula para os tons. Para observarmos os tons é preciso que ignoremos a cor absoluta do objeto, de forma a registrar somente os tons. A escolha de tons determina notavelmente a atmosfera da pintura.

 

Embora haja um número quase infinito de tons entre o preto e o branco, a olho nu só é possível distinguir, sem grande esforço, de seis a nove. Na prática, é possível reproduzir um desenho ou uma pintura perfeitamente nítidos usando apenas três tons, embora muitos artistas julguem que seis ou sete permitem maior flexibilidade.

 

SIMPLIFICAÇÃO TONAL

 

A arte de transferir para um desenho as variações tonais que vemos reside na eliminação de tons próximos. Isso será fácil se você usar como modelo uma fotografia em preto e branco, e bem mais difícil se a imagem for colorida. No exemplo abaixo, a imagem da esquerda possui cinco cores distintas, mas se você olhar para o desenho em preto e branco conseguirá observar apenas quatro tons, pois o lado externo da caneca e a sombra do lado interno têm matizes e intensidades diferentes, mas possuem o mesmo tom.

001- tons

 

O trabalho feito com poucos tons não significa necessariamente que o desenho terá a mesma aparência sintética da imagem. O desenho do próximo exemplo, baseado na imagem que aparece à direita, tem uma variedade de tons próximos, embora o efeito seja mais vivo, o artista enfatizou os limites das diferentes áreas tonais. Ele isolou cinco tons para compor o desenho – preto, três tons médios de cinza e o branco do papel.

002- tons

 

ESCOLHA DE TONS

 

Para tomar decisões sobre as tonalidades adequadas a determinado desenho, é preciso contar com olhos relativamente treinados em ver em termos de tom, ao invés de cor; além disso, deve-se aceitar a idéia de que, ao se reduzir o número de tons, consegue-se chegar quase sempre a resultados bem melhores.

 

Montar uma escala de tons é um recurso que ajuda a fazer uma boa escolha de tonalidades. Utilizando nove quadros numa folha de papel branco podemos criar uma escala de dez valores entre o preto e o branco puro, representado pelo próprio papel. Construa a escala do tom mais escuro para o mais claro, completando cada quadro anterior com um cinza ligeiramente mais claro.

003- tons

Para fazer a escolha dos tons, faça uma observação inicial do motivo e decida quantos tons você pode manejar. Então, dê a cada uma das cores o valor tonal representado na escala. Dificilmente você precisará dos dez, pois ha muitos tons semelhantes que podem ser combinados. No exemplo (A), os pinheiros ao fundo foram simplificados para um único tom de cinza bem escuro. O mesmo tom foi usado na maior parte do riacho. Um cinza mais claro foi usado na parte mais próxima do riacho, onde ha maior concentração da luz do sol. A neve está mais próxima do branco que do cinza, por isso o papel foi deixado em branco nessas áreas. Dois tons de cinza foram usados na neve, e o tom mais escuro foi usado para o céu nublado. Dessa forma, foram usados somente quatro tons na reprodução desta imagem.

 

Para trabalhar com três tons, procure que eles sejam fortemente contrastantes entre si e componha seu desenho de forma que esse contraste seja ressaltado. Note no exemplo (B) como a duna de areia, feita com o papel em branco, tem sua forma definida pelo capim cinza escuro, pelo mar e pela poça de água. O branco puro do papel também aparece no céu e na praia, mas as três áreas ficam bem diferenciadas pelo posicionamento adequado das nuvens e sombras em cinza claro.

004- tons

 

Para fazer a escolha dos tons, faça uma observação inicial do motivo e decida quantos tons você pode manejar. Então, dê a cada uma das cores o valor tonal representado na escala. Dificilmente você precisará dos dez, pois ha muitos tons semelhantes que podem ser combinados. No exemplo (A), os pinheiros ao fundo foram simplificados para um único tom de cinza bem escuro. O mesmo tom foi usado na maior parte do riacho. Um cinza mais claro foi usado na parte mais próxima do riacho, onde ha maior concentração da luz do sol. A neve está mais próxima do branco que do cinza, por isso o papel foi deixado em branco nessas áreas. Dois tons de cinza foram usados na neve, e o tom mais escuro foi usado para o céu nublado. Dessa forma, foram usados somente quatro tons na reprodução desta imagem.

 

MODELAGEM COM O TOM

 

Nos esboços sem compromisso, pode-se usar o tom como um simples recurso de modelagem para separar áreas de luz e sombra. Nos desenhos acabados, contudo, devemos levar em conta também os tons locais ou próprios do motivo. Os dois esboços abaixo mostram essa diferença. No da esquerda, tons escassamente usados indicam a luz e a sombra, dando forma e volume aos objetos, porém, não transmitem qualquer sensação de cor ou textura. No esboço da direita, onde existem efeitos de luz e sombra somados aos tons locais dos objetos, o contraste entre as partes iluminadas e sombreadas é mais pronunciado, e os objetos ficam mais reconhecíveis.

005- modelagen com tons

 

No próximo exemplo podemos observar como a mesma figura (no caso uma maçã) pode adquirir características diferentes pela variação tonal. Se escolhermos desenhar uma maçã vermelha escura ou verde clara, devemos iniciar preenchendo as formas com tons de cinza médio, correspondentes aos tons locais. Nesta etapa as maçãs ainda não possuem volume definido (A). Escureça as áreas mais sombreadas da maça de forma que elas adquiram volume (B). Desenhe as sombras projetadas pelas maçãs, e para produzir o efeito de brilho, utilize uma borracha para clarear o tom das áreas iluminadas (C). A borracha utilizada desta maneira, como uma pincelada branca, requer um toque delicado. Se os tons forem aplicados ou apagados com muita força, corre o risco de rasurar o papel. Os tons que limitam as zonas de sombra devem ser clareados para dar a impressão de luz refletida a partir do fundo.

006- modelagen com tons

 

LUZ E SOMBRA

Os efeitos de luz e sombra são os que dão tridimensionalidade aos objetos. Este efeito no desenho é conhecido por modelagem, e é conseguido através da variação tonal. Como vimos anteriormente, uma parte dos objetos recebe muita luz, alterando seu tom natural para um tom mais claro, enquanto outras partes recebem pouca luz e ficam com tons variados de sombras. Desenhando com cuidado as mudanças de tom, você consegue recriar os efeitos da luz que incide sobre o motivo, dando-lhe profundidade e volume, qualidades que o diferenciam do desenho de contorno.

 

Para exercitar a modelagem, trace o contorno das quatro formas básicas e converta-os em objetos tridimensionais, trabalhando com tons. Não se preocupe com o tom local dos objetos, deixe-os brancos para não fazer confusão e concentre-se apenas em registrar os efeitos de luz e sombra. Os pontos mais importantes a observar são:

»  Nos contornos vivos, como os do cubo, as mudanças de tom são bem definidas.

»  As sombras projetadas pelos objetos são mais escuras que os tons mais sombreados do próprio objeto.

»  Nas superfícies curvas, as mudanças de tom são mais graduais.

»  Os tons nos objetos ficam inesperadamente claros próximos as sombras. Isso se deve a luz que é refletida nos objetos pela superfície sobre a qual eles se apóiam.

 

007- luz e sombra

 

A INFLUÊNCIA DA LUZ

 

A luz possui três aspectos que condicionam o artista no tratamento do claro escuro.

A Direção da luz:

Luz frontal. Ilumina o modelo de frente e não produz muitas sombras.

Luz frontal-lateral. Vem de um lado formando um ângulo de 45° com o plano frontal. Costuma proporcionar uma iluminação equilibrada com igualdade entre zonas iluminadas e zonas de sombra. É a mais comumente usada pelo equilíbrio que proporciona.

Luz lateral. É proveniente de um lado, deixando o lado oposto na sombra. Concorre para a dramatização do tema e é utilizada quando se deseja enfatizar o contraste. Realça o volume e a profundidade do modelo.

Contraluz. O foco de luz se encontra atrás do modelo. Em conseqüência, os planos frontais do modelo ficam todos na sombra. A contraluz oferece grandes possibilidades aos paisagistas.

Luz zenital. Luz solar proveniente de uma abertura no teto. É ideal para desenhar ou pintar ao natural. Produz sombras bem definidas e acentua os volumes do modelo.

Luz vinda de baixo. Só para casos muito especiais em que se pretenda conferir maior dramaticidade ao tema. O efeito é quase fantasmagórico.

BQuantidade de luz:

Da quantidade de luz dependem os contrastes tonais oferecidos pelo modelo e que, logicamente, o artista tentará passar para o desenho. Um modelo iluminado com uma luz intensa apresentará sombras marcantes, enquanto sob uma luz tênue, o contraste tonal diminuirá no modelo, com tendência a igualar seu tom geral.

CQualidade da luz:

Por qualidade da luz entendemos que são as características dela mesma que dependem de sua natureza e das condições sob as quais ela incide no modelo.

Luz natural. É a luz direta do sol.

Luz artificial. É a produzida por lâmpadas elétricas ou outros sistemas de iluminação. Neste caso, devemos observar que alguns tipos de lâmpadas produzem luz com um tom que pode interferir no tom natural do modelo.

Luz direta. Luz natural ou artificial direcionada para o modelo.

Luz difusa. É a luz natural de um dia nublado. Luz que chega de uma janela ou porta e incide diretamente no modelo, depois de ser refletida nas paredes, no teto e no chão.

008- luz e sombra

 

Os efeitos que a luz provoca sobre um modelo interferem diretamente no resultado final de um desenho. Por isso, escolher a iluminação adequada é fundamental na elaboração de uma composição.

 

COMO FAZER SOMBRAS

 

Em alguns estudos anteriores já nos deparamos com a idéia de usarmos as mudanças de tom para dar uma aparência tridimensional aos objetos. Agora, analisaremos de uma forma mais completa o emprego da luz e da sombra, mostrando a importância da interação desses dois elementos para o desenho. Não existe sombra sem luz; portanto, a introdução de sombras num desenho implica a presença de luz. A sombra sugere espaço, indica a relação entre um objeto e outro e também define a localização dos objetos em relação à fonte de luz.

 

O uso de luz e sombra exige uma observação sutil, pois as áreas na sombra são alteradas pela luz refletida. No exemplo abaixo, o cubo de cima mostra que as superfícies diretamente expostas à principal fonte de luz são as de tom mais claro, sendo esses tons mais ou menos igual em toda a área. Já o tom nas superfícies sombreadas, embora mais escuro no geral, apresenta um número maior de variações. Em torno das bordas, onde ha pouca luz refletida, o tom é escuro. Este efeito é enfatizado pelo contraste com a luminosidade das superfícies adjacentes. No entanto, na área central da sombra, o tom mostra-se mais claro, devido à luz refletida sobre ela pelo tampo da mesa. A sombra projetada sobre a mesa quase não recebe luz refletida da superfície sombreada do cubo, e é aí que se encontra o tom mais escuro, onde as duas superfícies se encontram.

009- luz e sombra

 

O próximo exemplo ilustra duas regras muito importantes sobre luz e sombra. Primeiro, se você quer descobrir o comprimento da sombra projetada por um objeto, trace uma linha reta pegando a principal fonte de luz, a borda sombreada do objeto e a superfície sobre a qual ele se apóia. A segunda regra afirma que a luz é sempre refletida por uma superfície no mesmo ângulo em que incide sobre ela. Leve isso em consideração ao decidir que áreas de uma sombra devem ter o tom mais claro.

010- luz e sombra

 

O diagrama da esfera mostra que o ângulo da luz refletida por uma superfície curva varia de maneira contínua, produzindo tons de sombra graduados. As áreas mais escuras são as partes da esfera não atingidas pela luz refletida da mesa, e também aquelas situadas no ponto de contato entre a sombra projetada e a própria esfera.

011- luz e sombra

 

Se você empregar as regras descritas nos exemplos anteriores para determinar o comprimento das sombras, verá que, quanto mais alta a fonte de luz, mais curta a sombra e vice-versa. Na prática, isso significa que as sombras projetadas ao meio dia quase não são visíveis, enquanto as sombras ao crepúsculo são longas e difusas. Lembre-se também que, quando a fonte de luz está próxima de 90° (como no meio dia), a luz é refletida no mesmo ângulo, produzindo reflexos fortes e concentrada. À medida que o ângulo da fonte de luz se inclina, o ângulo da luz refletida se altera em igual medida, fazendo com que a luz perca força e produza reflexos menos intensos.

 

FORMAS POSITIVAS E NEGATIVAS

 

Todo motivo tem formas positivas e negativas. Saber reconhecê-las e usá-las facilita o trabalho e permite um aprimoramento da composição, tanto de um esboço como de um desenho acabado. O motivo de um quadro é geralmente constituído de formas positivas, sendo as formas negativas, em geral, os espaços que circundam as formas positivas. As formas negativas são tão importantes para a qualidade do desenho quanto as positivas, e para elas, deve ser dedicado o mesmo planejamento, cuidado e atenção. Sobretudo, lembre-se que os dois tipos de forma são determinados pela ênfase que você lhe dá. Existe uma ambigüidade natural nas imagens, e o que domina o olho na experiência visual é considerado o elemento positivo, logo, aquilo que se apresenta de forma mais passiva, aparece como negativo. Apesar dos elementos se apresentarem de forma separada, permanecem unificados.

012- negativo e positivo

 

Quando estamos diante de um motivo único, isolado, torna-se fácil identificar o que é positivo ou negativo. Mas as coisas tornam-se mais complicadas quando ha necessidade de registrar vários objetos. Não existem regras absolutas ou científicas sobre o que é positivo ou negativo. A escolha depende do que está sendo enfatizado ou não. Esboços rápidos são de grande ajuda na composição de um desenho, ao praticá-los, não se concentre nos detalhes. Ao fazer estudos preliminares, pense nas formas positivas e negativas em termos amplos e ignore os detalhes e as cores específicas de cada objeto. Identifique e simplifique o positivo e o negativo, resumindo-os em grandes formas individuais; assim você poderá avaliar de maneira razoavelmente precisa a força da composição e poderá fazer as correções e ajustes necessários.

 

A FUNÇÃO DOS CONTRASTES

 

No processo da linguagem visual, o contraste é uma força vital para a criação de um todo coerente. Em todas as artes o contraste é um poderoso elemento de expressão, o meio para intensificar o significado e simplificar a comunicação. Ele choca, desequilibra, estimula, chama a atenção, e sem ele, a mente tenderia a erradicar todas as sensações, criando um clima de morte e de ausência de ser.

 

Se observarmos com atenção o ambiente que nos rodeia, notaremos que contém uma infinidade de contrastes. Claro e escuro, curvo e reto, liso e áspero, vazio e cheio, pequeno e grande e outras qualidades opostas disputando nossa atenção. Para obter mais efeito em um desenho, é preciso acentuar os contrastes fortes; desta forma, iremos criar tensões e contrapontos que prenderão o olhar do observador. É possível explorar os contrastes fortes de várias maneiras. Numa natureza morta ou num retrato, podemos criar contrastes com a simples escolha do assunto, de seu entorno, ou ainda, por meio do arranjo ou da iluminação dos diversos elementos.

 

À primeira vista, as paisagens parecem oferecer menos opções, mas se examinarmos bem descobriremos nelas numerosos contrastes. Ajuste seu ponto de vista para conseguir padrões de sombras, interações de formas e combinação de cores mais interessantes. O desenho artístico permite que o artista intensifique os contrastes. Óleo e água não se misturam, mas no papel, suas contrapartes visuais certamente se unem muito bem.

013- contrastes

 

CLARO E ESCURO

 

Grandes mestres da pintura, como Rembrandt van Rijn (1606-1669) e Michelangelo Caravaggio (1573-1610), fizeram um largo uso do chiaroscuro – o forte contraste de claro e escuro – para dar dramaticidade e tensão a suas obras. A maneira de lidar com a luz pode mudar completamente um trabalho, tornando-o banal ou, ao contrário, interessante e original. Assim, quando planejar uma composição, pense bem na forma como vai usar a luz. Procure imaginar o quadro como um palco, onde você vai iluminar a estrela, o centro de interesse.

 

O recurso do chiaroscuro pode ser utilizado tanto no estúdio, onde uma iluminação cuidadosa ajuda bastante a produzir o efeito desejado, como ao ar livre. O sol forte atravessando as árvores de um bosque, as luzes dos edifícios brilhando à noite são algumas das inúmeras possibilidades de usar o chiaroscuro na pintura ao ar livre. Ao lançar mão desse recurso você precisa controlar os tons com habilidade. Coloque os tons mais claros juntos aos bem escuros, para que pareçam mais claros ainda. Evite restringir-se a dois tons; o segredo do chiaroscuro consiste em trabalhar gradações sutis dos dois lados da escala tonal, de modo que os claros vibrem e os escuros ganhem interesse.

014- contrastes

 

O EFEITO DE PROFUNDIDADE

 

A profundidade é fundamental para que um desenho consiga despertar interesse. Ao dar ao desenho um efeito de profundidade, você automaticamente cria um primeiro plano, um plano intermediário e um plano de fundo, convidando o observador a entrar no desenho e explorar toda a composição. Transmitir profundidade não implica necessariamente o uso de perspectiva linear. Embora este seja um recurso útil em determinados casos, existem outras maneiras igualmente eficientes de obter esse efeito.

 

A variação na escala é uma forma de conseguir bons resultados. Aumentando o tamanho dos objetos pequenos que aparecem no primeiro plano em relação ao do fundo, podemos criar profundidade, tendo em vista que os objetos reconhecíveis possuem proporções entre eles. A proximidade de objetos semelhante em planos diferentes intensifica a sensação de profundidade; por isso, é preciso estar atento na variação de escala de objetos semelhantes, pois, as ilusões ópticas criadas, se não estiverem bem distribuídas em seus planos, podem distorcer a idéia de profundidade .

 

No exemplo (A), podemos observar como vários elementos em uma mesma cena, distribuídos em escalas diferentes, criam o efeito de profundidade. Compare o copo e a garrafa; se estivessem um ao lado do outro, a garrafa seria obviamente maior. Outras diferenças sutis podem ser observadas, como o tamanho da caixa de fósforos em relação à mão do homem, ou o tamanho das cabeças do homem e da mulher. No exemplo (B), um dos garotos parece menor que o outro no desenho, isso acentua a profundidade da sala. Observe, no entanto, como a diferença de escala parece aumentar no desenho em que os garotos estão mais próximos.

016- profundidade

 

A perspectiva linear proporciona a oportunidade perfeita para transmitir profundidade em cenas urbanas. Convergindo as linhas paralelas de uma paisagem urbana para um mesmo ponto de fuga, automaticamente criamos a profundidade e os planos distintos, mas, não podemos nos esquecer que os elementos semelhantes ficam menores à medida que se distanciam; e os detalhes mais distantes vão perdendo nitidez ao se aproximar do fundo. Isso ocorre pelas limitações de nossa visão; quando um objeto não aparece com nitidez aos nossos olhos, ficamos convencidos de que está distante.

018 profundidade

 

A profundidade em perspectiva é muito utilizada quando trabalhamos com imagens que possuem vários elementos iguais distribuídos em distâncias iguais, como as colunas de uma edificação, os postes de iluminação numa rua, janelas de prédios, etc. Para aplicar esta perspectiva, devemos calcular a separação aparente entre os elementos. No exemplo a seguir, utilizaremos as colunas de um claustro.

 

Uma vez demarcado o horizonte e traçadas as linhas de profundidades mais importantes, determine, a olho, o eixo vertical das duas primeiras colunas, como se limitasse a profundidade de um retângulo vertical em perspectiva paralela (A). Trace diagonais dentro do retângulo em perspectiva, e na intersecção das diagonais, trace a linha de fuga, que deve estar no centro das linhas de profundidade (B). Trace uma diagonal, a partir do canto externo superior do retângulo (primeira coluna) de forma que ela passe pela intersecção da linha de fuga com a parte interna do retângulo (segunda coluna). Onde a diagonal cruzar a linha de profundidade da base do retângulo, trace uma linha vertical que será a terceira coluna (C). Depois, basta repetir o procedimento para posicionar as outras colunas (D).

019 profundidade perpectiva

 

Ao desenhar paisagens, um dos recursos mais eficazes para criar a sensação de profundidade é a perspectiva aérea, expressão imprópria, mas usualmente empregada para designar uma visão na qual as coisas que estão distantes aparecem mais enevoadas e em tom mais claro do que os objetos vistos de perto. Trata-se de uma ilusão ótica natural, criada pelo efeito da atmosfera terrestre sobre as ondas de luz que percorrem longas distâncias. A perspectiva aérea afeta nossa visão de uma imagem distante de três maneiras: Tirando-lhes nitidez, onde os contornos ficam vagos e os pequenos detalhes desaparecem; clareando e diminuindo a variedade de tons deixando as coisas mais claras e os tons menos distintos; e dando as cores visíveis uma tonalidade fria, azulada, pois a atmosfera tende a absorver o lado quente do espectro solar e a refletir o lado frio.

 

Para criar o efeito da perspectiva aérea, é preciso visualizar o desenho como uma série de zonas tonais, começando por uma zona escura no primeiro plano e terminando com uma zona clara no plano de fundo. Reduza também, de forma gradativa as texturas e contornos dos elementos do plano intermediário para o plano de fundo. Concentrar a luz no plano intermediário é um bom recurso para criar contrastes entre o primeiro plano e o plano de fundo.

020 profundidade perpectiva

 

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

 

Os exercícios dessa aula permitirão à você ampliar a sua percepção na observação de cenas e objetos através da luz e sombra que refletem, e do espaço que os circunda. Saber olhar o conjunto como um todo e identificar os elementos que geram efeitos sobre nossa percepção, permitirão que você desenhe o que realmente vê. Vale lembrar que todos os estudos realizados até agora tratam o desenho como um registro de uma realidade que podemos ver. Copiar formas, texturas e outros elementos nos acrescentam repertório para que mais tarde possamos usá-lo na criação.

 

Para absorver as possibilidades que os efeitos de luz e sombra apresentam em um objeto, faça algumas composições com elementos do seu cotidiano como canecas, caixas, panelas, livros, etc. Tente iluminá-los das diversas maneiras possíveis para depois desenhá-los. Observe como as sombras aparecem no objeto e na base que os sustenta. Utilize a escala tonal para determinar as variações de tons que você pretende usar. Você pode trabalhar também com sólidos geométricos, eles oferecem boa variação de luminância. Evite utilizar objetos de vidro ou de metal, pois esses elementos interferem com reflexos produzindo uma sombra diferenciada. O trabalho com esses objetos serão estudados com mais profundidade em outra aula.

021 exercicio

022 exercicio

 

Outro exercício interessante pode ser feito com pedaços de papel dobrados ou amassados. Neles existe a ocorrência de vários tons. Nas partes que estiverem arredondadas as sombras serão suaves e graduais. Ao longo das dobras bem marcadas, os tons são nítidos e com limitações definidas. Este efeito também acontece nos objetos. Com um pouco de prática, logo sua percepção estará aguçada para os detalhes mais sutis.

023 exercicio

Para trabalhar com formas positivas e negativas, posicione um objeto sobre uma mesa e tente desenhá-lo sem incluir as linhas que se apresentem no seu interior. Isso aumentará a sua capacidade de perceber extremidades. Procure entender a forma no espaço. Um bom motivo para este exercício é uma cadeira, pois ela integra as formas positivas e negativas, e com isso, força a nossa percepção (A). A ambigüidade que um desenho em silueta pode apresentar despertar nossos sentidos de forma prazerosa, ao conseguirmos reconhecer objetos ou pessoas em uma imagem que ao primeiro olhar formam apenas manchas (B). As siluetas operam nas extremidades da escala tonal, sem meios tons.

024 exercicio

Os exercícios com contrastes tonais devem ser feitos da mesma forma como os de luz e sombra, porém, os tons devem ser intensificados para que os contrastes mostrem sua força. Experimente reproduzir objetos sob a luz do sol, e reproduza os contrastes conforme você vê. Em alguns momentos você perceberá que a intensidade dos contrastes cria situações inesperadas.

 

Para os efeitos de profundidade, é importante sempre observar os planos em que os objetos se colocam. Você pode arrumar alguns objetos semelhantes sobre uma mesa em planos diferentes e fazer o esboço do conjunto usando o método do “lápis e polegar” para calcular os tamanhos aparentes dos objetos. Você se surpreenderá com a diferença que ocorre mesmo com os objetos em planos mais próximos.

 

Pratique também a perspectiva aérea, pois ela lhe ajudará a perceber as variações tonais que ocorrem quando olhamos para o horizonte. Imagens fotográficas também apresentam os efeitos da perspectiva aérea, e podem ser exploradas da mesma maneira.

 

Lembre-se que, quanto mais exercícios você fizer, além de aumentar a sua habilidade com o traço e a sua capacidade de percepção das formas e de seu entorno, você estará acumulando informações e ampliando o seu repertório para o desenho. Uma vez que você descobre um novo caminho que lhe permite explorar pontos de vista que para você não tinham importância, o conhecimento adquirido se torna parte do seu ser. Como no processo de aprendizado da linguagem verbal, antes de você reconhecer as letras e as palavras, elas pareciam somente signos sem sentido. Depois que você aprende a combiná-las e interpretá-las, é impossível passar diante de uma frase ou palavra sem fazer a leitura.  

 

Agora que você já sabe como funciona o contraste, a sombra e os tons e praticou um pouco você esta pronto para avançar para a Aula 5.

 

 

 

 

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