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Aula 3 – A importância do Esboço

Posted by Marcio Parente on 27 de Março de 2015 in Iniciante |

O esboço é a parte inicial de qualquer projeto. Uma visão ou um pensamento podem ser transferidos para um papel de forma rápida e concisa através de um esboço. Ele serve para representar uma percepção de modo a simplificá-la para que possa ser concebida e estudada de forma mais abrangente. Para fazer um esboço é preciso apenas um marcador e uma folha de papel, instrumentos que um artista deve sempre ter por perto. Há blocos de vários tipos e tamanhos. Os melhores são os espirais com capa de papelão. O mais prático é o conhecido caderno de desenho escolar, que cabe em qualquer lugar. Mantenha junto ao bloco também uma lápis HB, um 2B, um 6B e uma caneta hidrográfica. Use borracha o mínimo possível. Lembre-se de que você só está fazendo um esboço, não um trabalho acabado. Utilize apenas um lado da folha de papel, para evitar que seus desenhos borrem.

Praticando um pouco todos os dias, você logo supera a fase dos rabiscos e começa a desenhar de verdade. Quanto mais você treinar no seu bloco de esboços, melhores serão os resultados. Tenha sempre à mão o bloco. Você verá que muitos motivos (temas) vão despertar seu interesse. Rabisque-os à vontade, sem medo de errar, pois o bloco serve justamente para exercitar a técnica. O ideal é praticar pelo menos quinze minutos por dia. O bloco serve para desenvolver e testar novas idéias, ou diferentes formas de compor e colorir seus desenhos. Algumas de suas idéias talvez não resultem em grande coisa; outras poderão desdobrar-se em novas possibilidades a serem exploradas.

O bloco é o meio ideal para ajudá-lo a desenvolver sua autoconfiança. Até artistas experientes sentem-se, às vezes, intimidados diante de uma folha de papel em branco ou de uma tela virgem. O bloco é o espaço adequado para desenvolver a criatividade e um estilo pessoal. À medida que você for trabalhando com maior velocidade, a rigidez dos primeiros traços irá desaparecendo.

Esboço de Leonardo Da Vinci

 

 Esboço à Mão Livre

O esboço à mão livre é o mais útil para você registrar o que você vê à sua frente. A fotografia é um meio bem mais preciso e certamente mostrará muitos detalhes, mas não pode comparar-se a um esboço quando se trata de registrar o que você vê, ao invés dos detalhes daquilo que está à sua frente. Para fazer um esboço você deve compor seu desenho quase instintivamente, sem perder tempo com a elaboração de medidas. Procure representar no papel os traços e formas que mais lhe chamam atenção, desenhando o que você sente que é certo.

 O Esboço Prático

Há diversas maneiras de fazer um esboço, dependendo da atmosfera, forma e detalhes que pretenda transmitir.

O desenho de contorno (A) é o clássico exercício de aquecimento; ele não só o familiariza com a arte do desenho, como também reforça seu poder de observação, incentivando-o a desenhar com movimentos livres. Comece por estudar com cuidado as formas principais que constituem seu motivo. Deixe seu olho vagar lentamente por elas, para poder captar as linhas gerais do desenho. Desenhe com linhas suaves e procure não olhar muito para o papel, mantendo os olhos no motivo, deixando o lápis sentir o caminho que percorre sobre o papel, assim como seu olho sente o caminho através das formas.

O desenho cego (B), é um tipo de esboço que deve ser feito com um lápis macio, com a ponta gasta, rombuda. Pois, as linhas grossas podem ser fortes, expressivas e capturam as formas básicas de maneira admirável. Deixe seu olho vagar ainda mais lentamente em torno das formas do motivo, e vá registrando, sem olhar para o papel e sem retirar o lápis dele, tudo o que está vendo.

O desenho de rabiscos (C) é outro exercício de aquecimento, embora seja radicalmente diferente dos dois anteriores. Deixe seu olho percorrer o objeto de maneira mais casual, enquanto sua mão rabisca em círculos o papel. Mantenha o lápis em movimento, levando-o para cima e para baixo, para frente e para trás, em ziguezague e em círculos. Não se preocupe em traçar contornos precisos, mas sim em captar a forma global com linhas rápidas.

O desenho gestual (D). Mesmo quando se referem a motivos imóveis, os artistas costumam falar sobre o movimento de suas formas. O que eles querem dizer é que a forma transmite uma sensação de mobilidade, compelindo-nos a olhar em determinada direção. É isso que o desenho gestual tenta captar. O lápis deve deslizar sobre o papel como um patinador. Trace uma linha rítmica atrás da outra, audaciosa e espontaneamente. Embora a força e os contornos possam ser vagos, você verá que este esboço tem um aspecto de vitalidade que os outros não têm.

01 esboços

 

O importante para um esboço é realçar os elementos que mais lhe atraem a atenção. Você também pode acrescentar textos para complementar suas idéias com relação ao esboço qua esta fazendo. Os detalhes mais minuciosos devem ser feitos no trabalho final. A prática do esboço é que vai lhe proporcionar uma melhor compreensão do desenho como um todo, pois a elaboração dos elementos que estão no desenho depende de como você os está vendo.

Os tópicos seguintes vão lhe mostrar alguns fatores importantes que devem ser considerados na elaboração de um esboço. Quando você estiver familiarizado com esses itens, a sua percepção dos objetos estará muito mais apurada e você conseguirá desenvolver esboços com facilidade e rapidez. A prática do esboço deve ser contínua para quem quer desenvolver esta habilidade. O esboço nunca deve ser considerado um trabalho final, e sim, um registro de uma idéia ou visão que se quer guardar.

Como Proporcionar e Enquadrar

Um dos maiores problemas que encontramos ao fazer um esboço à mão livre é o de como relacionar o tamanho de uma parte do motivo às outras partes, de modo que elas todas sejam proporcionais. Para tanto, você deve escolher uma dimensão qualquer do motivo e tomá-la como referência para estabelecer as proporções dos outros objetos da cena. Tendo escolhido a dimensão que será usada como padrão, pegue um lápis e estique o braço à sua frente, na direção do objeto em questão. Então, olhando através do lápis, use o polegar para marcar no lápis a medida aparente (A). Mantendo a marcação com o polegar, leve o lápis até o papel e use a outra mão para marcar a distância entre a extremidade do lápis e o seu dedo. Esta passará a ser a sua medida-padrão. Para medir os tamanhos e as distâncias relativas dos outros objetos, use o mesmo método e compare as medidas encontradas com a medida-padrão, para saber qual a sua proporção (metade, um terço, um quarto, etc.) em relação a ela. Esta técnica serve para medir as proporções dos objetos de uma cena. Mas, para que as proporções sejam coerentes: fique na mesma posição mantendo o mesmo ângulo de visão; mantenha o lápis sempre à mesma distância do corpo; use sempre a mesma medida-padrão.

02 enquadrar

 

Outra forma de tornar os objetos de uma composição proporcionais é o enquadramento. Enquadrar significa colocar uma delimitação de espaço em um objeto, criando um boxe que simplifique para nós a reprodução gráfica das dimensões fundamentais do modelo. Olhando à nossa volta, podemos perceber que tudo que nos rodeia pode estar dentro de uma forma quadrada, retangular ou esférica. Com um pouco de treinamento, você logo perceberá que basta educar a vista para conseguir bons resultados.

O cálculo mental de distâncias começa quando tentamos estabelecer as fórmulas mais convenientes para dividir a imagem em setores limitados por linhas de referência que irão simplificar as medições e permitir que situemos facilmente todos os elementos do modelo no lugar exato do papel. Isso pode ser conseguido dividindo o plano com uma linha horizontal e uma vertical, criando quatro partes. Assim, podemos determinar o que está mais ao centro, mais ao canto inferior esquerdo, etc.

03 enquadrar

 

O que é Escala?

Entende-se por escala as relações de tamanho que os objetos mantêm entre sí e também com o observador. A escala define além disso, as relações entre as diferentes partes da composição, fornecendo informações sobre os espaços entre elas. E é ela também que faz com que um desenho transmita uma noção exata da distância em que o observador se encontra em relação ao motivo do desenho. Só tem sentido determinar a escala em um desenho se os objetos tiverem um tamanho padrão na vida real. Figuras humanas são as melhores determinantes de escala: tomando por base seu tamanho no desenho, o observador consegue avaliar automaticamente a escala do resto da cena. Os desenhos abaixo mostram como a figura humana desempenha um papel importante na determinação da escala. Sem as figuras, as paisagens A e B são idênticas. Acrescentando uma figura humana em A, o resto da cena se distância e sugere que a pessoa está à beira de um grande lago. Em B, a inclusão da mesma figura em uma escala maior, aparenta que a figura mergulha os pés na água e aproxima a cena do observador.

04 escala

A percepção da escala nos acontece de forma tão comum que nunca nos damos conta dela. Sempre que observamos uma cena, medimos as distâncias e proporções de forma automática. Quando olhamos para duas pessoas próximas de um carro, sabemos logo se as pessoas são altas ou baixas, pois tomamos como referência o carro para fazer esses cálculos mentais. Em um desenho, a escala varia cada vez que novos objetos são introduzidos nele. Observe esta variação nos exemplos abaixo.
A – Sem árvores: Cubra com a mão as árvores da direita. Perceba que sem elas fica difícil reconhecer a montanha. Além de facilitar a identificação da imagem, as árvores indicam a escala do desenho.
B – As árvores do primeiro plano: Elas possibilitam uma comparação com as árvores menores e dão profundidade à cena.
C – Uma figura pequena: Pode ser interpretada como um adulto, fazendo assim, com que as árvores pareçam enormes, e ao mesmo tempo, distancia da cena o observador.
D – Uma figura maior: Com a inclusão desta outra figura, podemos dizer que a figura menor é de uma criança, pois ambas estão no mesmo plano visual. Agora, as árvores do primeiro plano parecem menores, e as da direita parecem estar ao fundo.

 

05 escala

 

Como Ampliar um Desenho

O processo de ampliação de uma imagem, às vezes se faz necessário. Uma das técnicas mais simples é mostrada no exemplo abaixo. Trace sobre a imagem uma linha vertical no centro, e três linhas horizontais, dividindo a imagem em oito espaços. Trace uma linha diagonal na imagem do canto inferior esquerdo para o canto superior direito. Coloque a imagem sobre o papel onde fará a ampliação no canto inferior esquerdo. Prolongando a linha diagonal, com o auxílio de uma régua, você poderá encontrar a proporção correta adicionando uma linha na horizontal, e onde essa linha cruzar com a linha diagonal, faça uma linha na vertical (A). Agora, remova a imagem e trace as mesmas linhas da imagem na folha maior dividindo em oito espaços. As linhas traçadas vão servir como ponto de referência, permitindo que desse modo você copie o esboço numa escala bem maior, simplesmente fazendo o contorno do desenho quadro por quadro (B).

06 escala ampliaçao

 

O Processo do Quadriculado 

Este método foi desenvolvido no renascimento para facilitar o desenho. Basicamente, a quadriculação é um processo que possibilita copiar objetos em várias escalas, ampliando ou reduzindo. O processo é simples, e tudo que você precisa é de uma grade ou janela quadriculada. O número e o tamanho dos quadrados são variáveis e devem ser feitos de acordo com a complexidade do desenho.

Para fazer uma grade você pode utilizar uma folha de acetato (tipo transparência), uma caneta para retro projetor, um pedaço de papel cartão preto, uma régua de 30 cm, tesoura, cola e massa de modelar. O exemplo abaixo mostra uma grade com três quadrados por quatro, mas você poderá fazer outras grades com diversas variações.

1 – Utilizando a régua, marque o acetato com a caneta deixando uma borda de 3 cm com quadrados de 5 cm cada na largura e quatro do mesmo tamanho no sentido do comprimento. Tome cuidado ao manusear o acetato, pois ele suja e arranha facilmente. Guarde-o protegido em uma pasta ou envelope grosso.

2 – Corte o papel cartão em oito tiras de 3 cm por 30 cm. Depois, cole quatro tiras de um lado do acetato acompanhando as bordas. Vire o lado e repita a operação. Em seguida, corte as sobras.

3 – Para apoiar a moldura sobre a mesa de trabalho utilize um pedaço de massa de modelar. Se estiver trabalhando ao ar livre, segure a grade na altura dos ombros e desenhe com o caderno apoiado no colo. Neste caso, é importante manter a moldura  e o olhar sempre na mesma posição.

06 quadriculado

Para utilizar a grade, comece desenhando o mesmo número de quadrados da grade no papel que receberá o desenho. Os quadrados do papel não precisam ser do mesmo tamanho que os quadrados da grade. Somente a quantidade de quadrados é que vai manter as proporções do objeto desenhado. Ao iniciar o esboço, preste atenção nos pontos em que os contornos da figura interceptam as linhas verticais e horizontais do quadriculado. Estes pontos serão o referencial básico a partir do qual você começará a traçar seu desenho. Procure reproduzir o que está contido em cada quadrado observando um por vez. Após conferir seu esboço, tendo a certeza de que todos os detalhes estão nos quadrados certos, deixe a grade de lado e continue o desenho a olho nu.

05 quadriculado

 

Depois que você sentir que já adquiriu experiência suficiente com o quadriculado, tente desenhar sem o auxílio da grade, trabalhando somente com os cálculos mentais respeitando as proporções. Este método treina os olhos e mãos a trabalharem com maior coordenação e segurança. Eventualmente, pode-se utilizar a grade quando for necessário desenhar objetos mais complexos, ou para estudos de perspectiva mais complicados. A grade também pode ser usada sobre fotografias ou outras imagens.

 

Como Funciona a Perspectiva

A perspectiva é um recurso de expressão que ajuda o artista a criar uma ilusão de profundidade e espaço tridimensional em superfícies planas bidimensionais, como um papel ou tela. Para compreendermos bem a perspectiva é preciso recorrer a uma ciência fria e exata, a geometria. É necessário ter em mente algumas definições de geometria para podermos aplicar a perspectiva em um desenho sem cometermos erros que possam comprometer o realismo que a perspectiva oferece. Os sólidos geométricos – cubos, pirâmides, cilindros, esferas, cones e prismas – estão presentes na maioria dos objetos que estão à nossa volta. Às vezes isolados, às vezes combinados, eles são a estrutura básica de todos os corpos. Quando se consegue dominar a perspectiva desses corpos geométricos básicos, é possível construir composições complexas com muita facilidade, inclusive a figura humana.

 O CUBO

09 perspectiva cubo

O CILINDRO

Para compreender a perspectiva do cilindro, primeiro vamos fazer a perspectiva de um círculo. Para tanto, devemos desenhar um quadrado que servirá de moldura para o círculo (1). Depois, trace diagonais (2) e os eixos vertical e horizontal do quadrado (3). Em seguida, divida a metade de uma diagonal em três partes iguais (4), e partido do ponto mais próximo da extremidade do quadrado, trace um quadrado dentro do quadrado já existente (5). Por fim, trace o círculo à mão livre por todos os pontos assinalados (6). Esta é a forma mais simples de fazer um círculo perfeito à mão livre. Para traçar o círculo em perspectiva basta fazer o mesmo procedimento com um quadrado em perspectiva, o que nada mais é do que a parte superior do cubo.

10 perspectiva cilindro

 

Imagine que, depois de haver traçado um círculo geometricamente perfeito, você o coloca no chão e se afasta dele alguns passos. Você o verá em perspectiva paralela, se um dos lados do quadrado que serve de moldura estiver completamente frontal (A), e em perspectiva oblíqua em caso contrário (B).

11 perspectiva cilindro

 

Para construir um cilindro, é preciso fazer um prisma, que tem como base um retângulo (A). Na base e no topo do prisma construa os círculos (B). Unindo as partes mais externas dos círculos, o cilindro se fechará (C). O prisma servirá para enquadrar o cilindro. Neste exemplo foi usada a perspectiva paralela com um ponto de fuga, mas as outras perspectivas também podem ser feitas a partir de um prisma de base quadrada.

12 perspectiva cilindro

 

PIRÂMIDE E CONE

Para traçar a perspectiva de uma pirâmide ou de um cone, devemos iniciar com o mesmo processo utilizado para fazer o cubo ou o prisma, conforme o caso. No caso da pirâmide de base quadrada, após desenhar o cubo (A), trace diagonais no quadrado superior (B). Este será o cume da pirâmide, de onde devem sais linhas para os cantos do quadrado inferior (C). Para fazer o cone, a diferença é que na base do cubo deve ser desenhado um círculo, e o centro do quadrado superior deve se unir com o perfil do círculo (D).

13 perspectiva cone

Na prática, quando um artista deve enquadrar uma forma esférica que apareça em uma composição (uma laranja ou o arremate de um adorno arquitetônico), não precisa se preocupar com o traçado, pois uma circunferência com o diâmetro adequado resolve o problema, já que o volume de uma esfera geralmente é conseguido pela variação tonal.

 

ESFERA

No desenho artístico parte-se do princípio de que uma esfera é sempre redonda, independente do ponto do qual é vista. Mas é conveniente saber que uma esfera tem sua perspectiva, e que seus pólos, seus meridianos e seus paralelos estarão dispostos e serão vistos de forma diferente, segundo o ponto de vista do observador. Por isso é interessante conhecer a perspectiva da esfera que na verdade resulta da perspectiva dos diferentes círculos que nela podemos considerar (basicamente, seu equador e seus meridianos).

Partindo de um cubo, trace um círculo no centro do cubo na posição horizontal para fazer o equador (A). Depois, faça dois círculos em cruz na posição vertical para formar os meridianos (B). Com um círculo envolvendo o conjunto formado, a esfera está pronta (C). O resultado pode parecer um pouco confuso, mas com um pouco de prática é possível criar outros meridianos e paralelos, caso seja necessário.

14 perspectiva esfera

 

As figuras que você acabou de conhecer estarão presentes em quase todas as estruturas que desenhar. Por isso é importante praticar os seus processos construtivos, variando os ângulos de perspectiva, nível do olho e pontos de fuga, para que você se familiarize com elas. Com um pouco de prática, você poderá combinar as formas a fim de construir composições complexas sem dificuldades.

 

ENQUADRAMENTO EM PERSPECTIVA

Para enquadrar um objeto em perspectiva, é preciso observá-los como se eles estivessem dentro de uma caixa, que pode ser um cubo, um prisma retangular, um cilindro ou uma combinação deles. Portanto, devemos primeiro criar essa caixa, respeitando os limites do objeto, e depois, inserir o objeto dentro dela. Obtida a perspectiva do prisma, é fácil determinar nela as diagonais e metades que tomamos como referência para localizar as formas do modelo.

Quando desenhamos objetos pequenos, naturalmente os pontos de fuga, e até mesmo a linha do horizonte, tendem a se colocar muito distante do papel em que estamos trabalhando. Por isso, devemos considerar que as linhas que limitam o objeto para o ponto de fuga nunca são paralelas, elas sempre tendem a convergir sobre o horizonte. Somente com a prática é possível determinar com precisão as variações que ocorrem nessas linhas.

Este enquadramento sempre deve ser feito com linhas finas e suaves, e servem como ponto de partida para o desenho. Quando os contornos do objeto desenhado forem definidos, as linhas do enquadramento devem ser apagadas e o desenho deve ser ajustado à mão livre.

Os exemplos abaixo nos dão uma noção de como funciona o enquadramento de objetos. Com a prática, ao observar um objeto a ser desenhado, logo saberemos quais as formas geométricas que deverão ser construídas para enquadrá-lo. O exemplo do moedor se encaixa dentro de um cubo em perspectiva oblíqua, e a base da manivela forma um círculo com uma meia esfera. Mais quatro traços curvos formam o mecanismo da manivela.

15 enquadramento

A configuração da forma do jarro é dada por um esquema geométrico de linhas auxiliares que precisamos conhecer quando enquadramos ou construímos qualquer corpo de forma circular. A partir do domínio desse esquema, fundamentado seqüencialmente na perspectiva de um cubo ou prisma de base quadrada, do cilindro e do círculo, podemos começar a trabalhar à mão livre.

16 enquadramento

O exercício com cadeiras é uma boa forma de praticar a percepção da perspectiva. Elas exigem a utilização de quadrados de várias alturas paralelos à base do prisma principal, e em alguns casos até, de contornos arredondados. Cadeiras podem ser desenhadas no chão, onde a linha do horizonte se colocará acima do desenho, podem ser colocadas sobre uma mesa, alterando a linha do horizonte para baixo do desenho. Enfim, desenhar cadeiras é um ótimo exercício de enquadramento em perspectiva.

17 enquadramento

Um exemplo mais complexo inclui várias formas a partir de cilindros de diversas proporções e de um prisma, localizados em diferentes profundidades sobre o plano horizontal, também chamado de plano da terra. Observe ainda que o conjunto das formas básicas, traçadas segundo uma perspectiva oblíqua, fica enquadrado dentro de um retângulo de proporções simples. O ponto de vista a partir do qual observamos o horizonte muito próximo dos círculos superiores (bocas das garrafas e jarro de cerâmica), deixa-os quase sem curvatura. Ao nos aproximarmos das bases, que estão no plano da terra, os círculos em perspectiva aparecem mais abertos.

 18 enquadramento

Exercícios Propostos

Os exercícios desta aula lhe permitirão realizar desenhos com muito mais segurança. Após a etapa inicial de adaptação aos materiais e aperfeiçoamento da visão espacial, você agora poderá se aventurar em desenhos mais complexos. Porém, é preciso que o conteúdo deste módulo fique bem compreendido para que sua visão espacial desenvolva. O conhecimento das técnicas de ampliação, por escala ou quadriculado, e o domínio do enquadramento de objetos lhe permitirá desenhar qualquer coisa que possa ver. Fazendo uma analogia da linguagem visual com a verbal, é como se você já pudesse reconhecer as palavras e estivesse pronto para formular frases.

 

AMPLIANDO EM ESCALA

Escolha uma imagem de revista, foto ou jornal, com aproximadamente 10 x 15 cm. Evite imagens com pessoas, procure objetos simples ou pequenas paisagens (A). Depois, delimite com caneta hidrográfica os contornos dos objetos que aparecem na imagem (B). Faça uma linha vertical, dividindo a imagem ao meio, e três linhas horizontais de modo a formar oito espaços iguais (C). Trace uma diagonal do canto inferior esquerdo para o canto superior direito (D). A imagem agora está pronta para ser ampliada. Coloque a imagem sobre uma folha de papel tamanho A4 no canto inferior esquerdo, e com um lápis, prolongue a linha vertical sobre a folha A4 (E). Retire a imagem e divida a folha com uma linha vertical e três horizontais formando os oito espaços. Lembre-se de que aonde a linha diagonal estendida sair da folha, será o limite do desenho, na lateral ou em cima (F). Transfira para a folha os contornos da imagem (G), apague as linhas guias e faça os ajustes à mão livre, olhando para a imagem.

19 exercicio amplindo em escala

 

AMPLIANDO COM QUADRICULADO

Os exemplos mostrados neste módulo apresentam a possibilidade de reproduzir através do quadriculado imagens naturais, que se apresentam de forma tridimensional. Mas também, você pode usar o quadriculado para ampliar ou reduzir imagens de fotos ou de alguma reprodução similar, que já se encontre na forma bidimensional. Para isso, é preciso que você construa uma grade que enquadre o tamanho da imagem que você queira reproduzir. Quanto mais detalhes a imagem tiver, um maior número de quadrados deve ser utilizado. Este método de desenhar permite aguçar a percepção direta (as informações que caem na sua retina) sem correção.

Quando se pratica a técnica do quadriculado, alteramos o nosso estado mental, pois, ao reproduzir cada quadrado de uma vez, representamos o que vemos exatamente como estamos vendo, sem nos preocuparmos em corrigir nossa percepção por conceitos pré-programados. Isso inibe o pensamento racional e lógico do lado esquerdo do cérebro. Ao realizar o desenho procure se preocupar com as relações de proporções de cada quadrado individualmente. Os ajustes dos detalhes serão concluídos quando a grade for retirada e o modelo for observado diretamente.

Albrecht Dürer-observação

A grade é um dispositivo de treinamento do visar. Depois de praticar com ela, sua percepção de relações e proporções não será mais a mesma. As outras técnicas de enquadrar e proporcionar com a visão direta do modelo (utilizando o lápis e o braço esticado, por exemplo), tem sempre o mesmo objetivo, o de manter o mais fiel possível as proporções do modelo desenhado. Não se sinta inibido ao se apropriar de técnicas que o auxiliem no desenho. Com a prática dessas técnicas, logo você começará a desenhar a olho nu, pois as relações e proporções serão percebidas de forma natural.

 

ENQUADRAMENTO EM PERSPECTIVA

A observação da perspectiva nos permite compreender a noção de profundidade que as imagens apresentam quando são vistas por ângulos diferentes. Exercitar os diferentes pontos de vista da perspectiva faz com que possamos compreender porque as linhas que formam o contorno de uma porta se apresentam de forma tão diferente quando ela está fechada (A), meio aberta (B) e totalmente aberta(C). Tente desenhar essas três possibilidades se posicionado próximo a porta e distante dela, sentado no chão e de pé diante da porta.

20 exercicio perspectiva

 

Para compreender a questão do enquadramento, pratique os exemplos mostrados nesta aula variando o ponto de fuga. Reproduza objetos que estão à sua volta. Não tenha medo de errar, somente os exercícios o levarão a uma percepção ideal da perspectiva. Encaixotar os objetos é a forma mais direta de organizar as suas relações com o espaço.

Se você fez um desenho por dia desde quando começou o curso, já deve ter mais de dez desenhos para avaliar a sua evolução neste tempo. Não tente comparar ou pensar em algo que não seja seu. Todos os desenhos que você tem em mãos foram feitos por você. e a melhor pessoa para avaliá-los é você. Relembre seus dramas e dificuldades que ficaram para traz num simples traço perfeito que você deu e tornou perfeito o seu estar. O quadriculado pode ser usado em vários tipos de desenho. Pratique e escolha aonde ele se adapta melhor às suas necessidades.

retrato quadriculado

 Parabéns! Se você chegou até aqui e conseguiu evoluir, passe para o nível Intermediário.

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