8

Aula 1 – Como começar a Desenhar

Posted by Marcio Parente on 23 de Março de 2015 in Iniciante |

Desenhar é uma maneira de registrar graficamente um sentimento, um pensamento, um objeto, um fato ou uma idéia. Quando pensamos em desenhar algo, buscamos em nós formatar uma visão daquilo que queremos desenhar. Isto ocorre porque para desenhar precisamos aprender a “ver”, tanto o objeto físico que queremos retratar como os pensamentos que estão somente em nossas mentes. Devemos aguçar a nossa percepção para conseguirmos “ver” aquilo que queremos desenhar.

001 ARTE PRE HISTORICA

 

Leia o artigo O Desenho na História e veja como a representação do desenho influencia nossa cultura.

As concepções modernas sobre o pensamento surgiram em 1968 após as pesquisas pioneiras de Roger W. Sperry, psicobiólogo e ganhador do Prêmio Nobel, sobre a natureza dual do funcionamento do cérebro e da cognição humana, onde o lado esquerdo do cérebro trabalha de modo sequencial, verbal e analítico e o lado direito trabalha de modo global, visual e perceptivo. Portanto, se estimularmos o lado direito do cérebro podemos desenvolver a nossa capacidade de perceber o mundo de uma forma mais ampla, explorando não só a lógica contida no que estamos vendo, mas o sentido existencial implícito de todas as coisas.

Quando aprendemos a trabalhar o lado direito do cérebro, despertamos várias capacidades que são inibidas pela lógica, aprendemos a ser mais criativos e passamos a perceber melhor todo o conjunto daquilo que vemos. Isto, automaticamente nos da mais prazer, pois passamos a entender melhor as coisas. Mas, assim como para aprendermos uma frase precisamos conhecer as letra e depois as palavras, para aprendermos a desenhar precisamos conhecer os elementos que compõem a linguagem visual.

hemisfc3a9rios-esquerdo_e_direito-do-cc3a9rebro-humano

Dentro da proposta deste curso, procurei estabelecer uma sequência que permita um desenvolvimento gradual dos conhecimentos necessários para a compreensão da linguagem visual, de forma que os conceitos possam ser adquiridos de forma definitiva e possam ser aplicados de forma evolutiva. Provavelmente, você se surpreenderá ao descobrir com que rapidez e habilidade será capaz de aprender a desenhar, e também ao saber o quanto você já conhece da linguagem do pensamento visual e perceptivo, talvez sem saber disso. E você também vai descobrir que essa nova linguagem, quando integrada à linguagem do pensamento verbal, analítico, pode fornecer os ingredientes essenciais não só para a sua criatividade, mas também para soluções criativas úteis para os problemas da vida cotidiana.

Como funciona a CRIATIVIDADE

A criatividade já foi estudada, analisada, dissecada e documentada, mas não existe uma definição aceita por todos. Contudo, há uma profusão de livros sobre o assunto, pois os investigadores da criatividade perseguem um conceito que parece paradoxalmente recuar no mesmo rítmo em que eles avançam.

Criatividade

A descrição básica da natureza do processo de criação vem circulando desde a Antiguidade. Contudo, os passos sucessivos do processo de criação só foram concretizados à partir do século XIX, onde se estabeleceram cinco etapas que colocam uma sequência no processo criativo.

Processo_criativo

 

1 – Primeiro Insight: A criatividade não é apenas resolver problemas existentes ou que estão sempre surgindo na vida humana. Os indivíduos criativos muitas vezes procuram ativamente e encontram problemas para resolver que ninguém havia percebido. É esta primeira pergunta que nos estimula a passar a segunda etapa, nos dando um horizonte e um objetivo a ser perseguido;

2 – Saturação: Nesta fase, entramos em um processo de pesquisa e começamos a reunir todas as informações pertinentes ao assunto sugerido na etapa anterior. Passamos a observar e prestar a atenção em todas as coisas e fatos que aparecem no nosso cotidiano com o intuito de responder a pergunta do primeiro insight;

3 – Incubação: Quando já existe uma grande quantidade de informações sobre o assunto requerido, ocorre um momento de reflexão, onde procuramos ordenar e formalizar todas as informações adquiridas;

4 – Iluminação: Após algum tempo de reflexão, de forma súbita aparece a solução do problema em questão. Geralmente, a solução aparece quando inconscientemente o nosso cérebro consegue organizar todas as informações conseguidas no processo de saturação e a coloca de forma clara para nossa compreensão;

5 – Verificação: Nesta etapa, quando a solução se põe de forma concreta, ao mesmo tempo se verifica se ela não contém erros e se é útil aos propósitos sugeridos.

cerebro.

As Habilidades Básicas do Pensamento

Muito se fala que para desenhar é preciso talento, ou algum dom divino que o faça diferente daqueles que conseguem fazer aquilo que você não consegue fazer. Eu não concordo com esta afirmativa, pois reconheço que existe sim um talento individual para cada ser no mundo, mas isso não limita o desenvolvimento de outros talentos que estão ocultos dentro de nós. Nada impede que um corredor de Formula 1 pinte um quadro, ou que um escritor seja um ótimo cozinheiro. Todos nós desenvolvemos nossas habilidades ao longo de nossas vidas, com nossas experiências, erros e acertos, vamos criando um conteúdo de informações que nos permite realizar as tarefas a que nos dispomos.

Existem alguns exercícios práticos que podem estimular o uso do lado direito do cérebro e com isso, aumentar as habilidades básicas da percepção. Uma vez que se aprendem essas habilidades básicas de percepção, seu uso pode ser tão variado quanto os usos subsequentes das habilidades básicas da linguagem e da aritmética. Alguns indivíduos podem continuar estudando e acabar se tornando artistas, do mesmo modo como alguns ficam estudando linguagem e matemática e acabam se tornando escritores e matemáticos.

Aprender a ver e a desenhar é um modo muito eficiente de educar o sistema visual assim como aprender a ler e a escrever pode educar eficientemente o sistema verbal. Isso não quer dizer que o sistema visual seja melhor do ponto de vista moral ou de qualquer outro, do que o sistema verbal. Mas os dois sistemas são diferentes. E quando educados como parceiros iguais, um padrão mental melhora o outros , e juntos os dois modos podem liberar a criatividade humana.

Leia o artigo Habilidades para Desenhar para conhecer um pouco mais.

 

Como Reconhecer suas Habilidades

Antes de iniciar o aprendizado, é importante que você reconheça como esta o seu nível de conhecimento da linguagem visual. Para isto, sugiro que você faça três desenhos, que serão usados para comparação com desenhos posteriores, tanto no que diz respeito às habilidades de desenho adquiridas quanto no tocante às novas habilidades de pensamento. Mesmo que você possa ter desenhado antes, ou talvez tenha algum aprendizado anterior, é importante fazer os desenhos antes da instrução. Não é preciso mostrar estes desenhos a ninguém, apenas os guarde num lugar seguro para poder compará-los com os desenhos de exercícios posteriores.

Utilize um lápis macio e um papel sulfite e tenha em mãos uma borracha. Não se preocupe com o tempo que vai demorar para executar cada tarefa. Identifique os desenhos dando-lhes um título (Desenho 1, por exemplo), então coloque a data e assine.

Desenho 1: Desenhe a figura de uma pessoa, de corpo inteiro, busto ou apenas cabeça. É importante fazer um desenho de observação com um modelo vivo. Se não conseguir alguém para posar para você, desenhe você mesmo se olhando em um espelho.

Desenho 2: Desenhe a sua própria mão, se for destro desenhe a mão esquerda, se for canhoto desenhe mão direita. Sua mão pode ficar em qualquer posição que você escolher.

Desenho 3: Desenhe um objeto qualquer, sozinho ou em composição com outros. Uma cadeira, uma mesa, um vaso de planta, uma pilha de livros ou sua mesa de café da manhã.

Quando estiver terminado, você pode escrever nas costas de cada desenho o que pensa dele. Essa sugestão não é obrigatória, mas pode ser interessante recapitular seus comentários depois que tiver aprendido a observar e a desenhar.

Se tiver alguma dúvida quanto ao material a utilizar leia o artigo Materiais Básicos para Desenhar

 

Como estimular o Lado Direito do Cérebo

Segundo os estudos de Betty Edwards – nascida em 1926, em San Francisco, California, arte-educadora norte-americana e escritora, conhecida principalmente por seu livro Desenhando com o Lado Direito do Cérebro, publicado originalmente em 1979 – é possível estimular o lado direito do cérebro e inibir o lado esquerdo com alguns exercícios simples. Esse tipo de estímulo libera a nossa percepção de forma que passamos a “ver” as coisas com outros olhos.

Quando o que esta diante de nossos olhos esta numa orientação não familiar, os processos costumeiros de reconhecimento e atribuição de nome se desaceleram e são dificultados, até o lado esquerdo do cérebro desistir de tentar nomear e categorizar. Logo, as partes não nomeadas se tornam interessantes por si só, assim como as relações entre as partes. Dai, a proposta de se fazer a cópia de um desenho de cabeça para baixo.

desenho de cabeça para baixo força uma mudança que afasta o lado esquerdo nomeador, classificador, do cérebro, aproximando-se do lado direito, visual perceptivo, que é o lado apropriado para o desenho. É como se o lado esquerdo, quando forçado a olhar algo que esta de ponta-cabeça dissesse, efetivamente: “Ouça bem, eu não faço coisas de cabeça para baixo, gosto que as coisas estejam do modo como elas sempre estão, para que eu saiba o que estou olhando. Se você vai olhar as coisas de ponta-cabeça, não conte comigo”. Para desenhar, é exatamente o que queremos.

Então, a proposta nesta etapa do aprendizado é que você faça um desenho de cabeça para baixo. Lembre-se, você quer não saber o que esta desenhando. Não tente nomear as partes que esta olhando, não diga o nome! Tente não falar para si mesmo em palavras. Deixe o seu lado esquerdo calado. Se você falar consigo mesmo, fale apenas de relações e de como as coisas se ajustam. Por exemplo, qual o ângulo dessa linha em relação a extremidade do papel? Qual a distância de uma linha para outra? Qual é a forma desse espaço aberto? Simplesmente comece a desenhar, checando ângulos e curvas em relação às extremidades do papel e pondo formas e espaços um em relação aos outros. As partes irão se ajustar como um quebra-cabeça.

Siga estas instruções para começar o desenho:

1 – Use um lápis macio comum e tenha em mãos uma borracha;

2 – Use uma folha de papel sufite;

3 – Não se preocupe com o tamanho do seu desenho em relação ao modelo utilizado, você pode fazê-lo de qualquer tamanho;

4 – Você pode começar o desenho em qualquer ponto que quiser. Uma vez que todas as partes se encaixem, não há nenhuma sequência especial. Recomendo trabalhar de uma linha para a linha adjacente e de uma linha para o espaço adjacente;

5 – Não tente nomear as partes, fale apenas das relações entre as linhas, das formas e dos espaços;

6 – Você pode comparar diferentes pontos do desenho traçando uma linha imaginária de um ponto para outro. Isso ajudará a localizar várias partes uma em relação as outras;

7 – Se possível, tente anotar o que acontece em seu cérebro enquanto faz o desenho. E o mais importante, observe a sua reação no momento em que terminou e virou o desenho de cabeça para cima;

8 – Procure um lugar tranqüilo para desenhar, onde ninguém vá interrompê-lo. E não se preocupe com o tempo que vai demorar para concluir o desenho. O tempo não é relevante nesse exercício.

Abaixo temos quatro modelos para você praticar. Na posição certa, qualquer um desses desenhos pareceria difícil e complicado para um iniciante, mas na posição de cabeça para baixo você descobrirá que pode realizar até desenhos difíceis como estes. Tenha em mente que quanto mais exercícios dessa natureza você fizer, mais estará ampliando a sua capacidade de “ver” as coisas com outros olhos.

Leia o artigo Tipos de Desenhos e pratique os exercícios propostos para começar a esquentar. Me envie imagens dos desenhos para avaliarmos juntos sua evolução.

 

Exercícios Preliminares

Com o objetivo de educar a mão para o desenho alguns exercícios preliminares devem ser feitos antes da execução de desenhos mais complexos. Para estes exercícios utilizaremos papel sulfite e lápis de diferentes graduações. Antes de começar, contudo, fique atento a três pontos fundamentais:

Postura correta. Sente-se de maneira mais cômoda possível, em frente a uma mesa de desenho inclinada, uma prancheta ou uma superfície rígida também inclinada sobre uma mesa normal, de modo que seu olhar fique perpendicular ao papel.

Iluminação adequada. A luz pode ser natural ou artificial, mas sempre deve ser emitida do lado oposto à mão com que você desenha, isso evita que sombras indesejáveis interfiram na sua visualização do desenho.

Empunhadura correta do lápis. Para desenhar, você deve segurar o lápis um pouco mais acima do ponto em que normalmente o usa para escrever. O lápis deve trabalhar com uma inclinação de 45 graus, de forma a não interferir na visualização do traço que está sendo feito.

Apesar de simples, estes exercícios são muito importantes. Os traços e os dégradés que você aprenderá irão lhe permitir controlar a força adequada para o uso do lápis e estimulará o seu controle motor. Os resultados desses exercícios dependem, em grande parte de seu nível de conhecimento e de seu esforço. Por isso, é recomendável que você treine repetidas vezes em um papel de rascunho e com lápis de diferentes granulações, pois o que for observado aqui será aplicado quando você estiver desenhando.

 

LINHAS RETAS EM DIAGONAL

traço1

São traços contínuos, ininterruptos, feitos sem levantar o lápis e deslocando não só a mão mas também o braço. Trace essas linhas em diagonal, primeiro devagar e em seguida com mais rapidez, procurando manter a mesma distância entre elas. Exercite também com linhas inclinadas para a esquerda.

 

VERTICAIS E HORIZONTAIS

traço2

Seguindo a orientação anterior, sem levantar o lápis do papel, aplicando os traços de uma só vez e mantendo a mesma distância entre eles, desenhe primeiro as linhas horizontais e depois – sem virar o papel – as verticais, de modo a formarem um quadriculado o mais regular possível.

 

CURVAS E ESPIRAIS

traço3

Para começar os traços curvos, desenhe uma série de quadrados e trace uma circunferência em cada um deles. Tente fazê-las com dois traços firmes, um para a metade esquerda e outro para a direita. Quando dominar essa técnica comece a desenhar espirais e curvas em forma de S invertido.

SOMBREADOS E DEGRADÉS

traço4

Estes sombreados devem ser feitos de forma gradativa, sem forçar demais o lápis. Comece pelos tons mais claros, passando para os tons mais escuros por sobreposição de camadas. Experimente essa escala de valores com lápis de várias durezas, isto lhe permitira conhecer as diferentes possibilidades que cada lápis oferece.

LINHAS HORIZONTAIS PARALELAS COM ZONA DELIMITADA

traço5

Faça linhas curvas bem suaves delimitando uma área, em seguida trace linhas horizontais e paralelas de ambos os lados da zona delimitada, como se cada linha passasse por traz da zona branca. Faça traços sempre contínuos e prolongue os traços após os intervalos.

SOMBREADO DE UMA ESFERA

traço6

Para sombrear uma esfera devemos utilizar traços irregulares. Comece desenhando um círculo, em seguida acrescente linhas curvas em seu interior de forma a escurecer a área de sombra da esfera. Depois, com sobreposição de linhas curvas siga os meridianos controlando e retocando o dégradé, de forma a intensificar as áreas mais escuras. É possível dar a forma de uma esfera apenas com traços horizontais ou verticais, ainda que o resultado não seja tão realista.

Agora que você já conheceu os princípios básicos e praticou um pouco esta pronto para avançar para a Aula – 2.

8 Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Copyright © 2015-2018 desenhefacil All rights reserved.
This site is using the Desk Mess Mirrored theme, v2.5, from BuyNowShop.com.